Rua 15 de Novembro

Quando eu era criança, saía aos domingos para admirar as vitrines. A cidade era pequena, então; no entanto, mais pessoas vinham até ti naquela época que vêm hoje, para enfrentar a escuridão de tuas marquises sombrias. Deixaste de ser um ponto de encontro.

Eu caminho ao longo do teu leito e sinto pena. Sinto pena das fachadas tão belas, dos prédios do centro histórico, das praças. Vejo aquele portão no início da escada que leva à Igreja Matriz e, subitamente, percebo que Deus tem medo dos teus transeuntes.

Nasceste para ser mais; mas és triste. E os velhacos da cidade se reúnem em bares suspeitos para cultuar divindades menores.

Volte


©2003 - Todos os direitos reservados. Para contatar o autor, escreva para johnnyvirgil@hotmail.com.