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Comentários sobre literatura

Abaixo estão os comentários de Johnny Virgil em relação a diversas obras da literatura universal.


A Arma da Casa, Nadine Gordimer, português, 1998
A Cabana, William P. Young, The Shack, português, Sextante, 2008
A Casa do Califa: Um Ano em Casablanca, The Calif's House, Tahir Shah, português, tradução de Pedro Ribeiro, Roça Nova, 2008
A Casa do Penhasco, Peril At End House, Agatha Christie, português, tradução de Laís Myriam Pereira Lima, Nova Fronteira
A Casa do Penhasco, Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, português, Petit, 2000
A Cidade do Sol, Khaled Hosseini, português, 2007, A Thousand Splendid Suns, Maria Helena Rouanet
A Cozinha Açafrão, Yasmin Crowther, português, 2007, The Saffron Kitchen, Thelma Médici Nóbrega
A Estrada, Cormac McCarthy, The Road, português, Alfaguara, 2007, Adriana Lisboa
Agora é Pra Valer: a verdadeira história de quem passou de chefe dos outros a líder de si mesmo, Marcia Luz, português, DVS, 2012
A Grande Aventura Masculina: como encontrar seu coração selvagem e descobrir uma vida de desafios e emoções, John Eldredge, português, 2007, tradução de Emirson Justino, Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro
A Jornada, Erin E. Moulton, português, Novo Conceito, 2011
Alma Gêmea, Deepak Chopra, português, 2001
A Luz que se Apagou, Rudyard Kipling, português, 1971, The Light That Failed, João Távora
Amazônia: Um Caminho para o Sonho, Marli Carmen Jachnkee, português, 2011
A Mulher Desiludida, Simone de Beauvoir, português, 2003
A Náusea, Jean-Paul Sartre, português, 1938
Andando em Círculos: As Pedras Milenares e o Caminho da Tríplice Espiral, Ricardo Mendes, português, 2004, Axcel, Rio de Janeiro
Apologia de Sócrates, Platão, português
Arenas Movedizas, Octavio Paz, espanhol, 1994
As Cidades Invisíveis, Ítalo Calvino, português
As Faces de Deus na Obra de um Ateu: José Saramago, Salma Ferraz, português, 2003, UFJF e Edifurb
As I Lay Dying, William Faulkner, inglês, 1987
A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón, português, 2007
As Memórias do Livro, Geraldine Brooks, português, 2008
Assassinato na Casa do Pastor, Agatha Christie, português
A Venezuela que se Inventa, Gilberto Maringoni, português, 2004
Avenida das Américas, Carlos André Ferreira, português, 2003
A Vida de Pi, Yann Martel, português, 2001
Beatrice And Virgil, Yann Martel, inglês, 2011, Spiegel & Grau
Bin Laden Não Morreu!, Anderson Fabiano, português, 2012, Bárbara, Blumenau
Black Beauty, Anna Sewell, inglês, 1877
Brasil, País do Futuro, Stefan Zweig, português, 1981
Breaking Dawn, Stephenie Meyer, inglês, Little, Brown, 2008
Cândido ou o Otimismo, Voltaire, português, Martin Claret, 2004, tradução de Pietro Nassetti
101 Dias em Bagdá, Åsne Seierstad, português, 2006
Concurso de Poesía en Homenaje al Centenario del Nacimiento del Poeta: Pablo Neruda, vários autores, espanhol, 2005
Congelados no Tempo, Owen Beattie e John Geiger, português, 2001, Record, tradução de Celina Cavalcante Falck
Críton, Platão, português
Cruzeiros do Sul, Urda Alice Klueger, português, 2004, Hemisfério Sul
Curso de Iniciação Logosófica, Carlos Bernardo González Pecotche, português, São Paulo, Logosófica, 2009
Devaneios Literários, Mariana Collares, português, 2011, Bookess
Dewey: Um Gato entre Livros, Vicki Myron e Brett Witter, português, 2008, Dewey: a Small-Town Library Cat Who Touched the World, Helena Londres
Dia de Finados, Cees Noteboom, português, 1998
Diário do Olivier: 10 Anos de Viagem em Busca da Culinária Brasileira, Olivier Anquier, português, Melhoramentos, São Paulo, 2008
Dicionário de Nomes Próprios, Amélie Nothomb, português, 2003, Robert des noms propres, Bluma Waddington Vilar
Dublinenses, James Joyce, português, 2003
Eat Pray Love, Elizabeth Gilbert, inglês, 2010, Penguin Books
Eclipse, Stephenie Meyer, inglês, 2008, Atom
Edvard Munch: Imagens de Vida e de Morte, Ulrich Bischoff, português, 2006, Paisagem
El Sombrero de Tres Picos, Pedro Antonio de Alarcón y Ariza, espanhol, 1995
Emergência, Steven Johnson, português, 2003
Essential Modern Greek Grammar, Douglas Q. Admas, inglês, 1987
Eu Sou o Livreiro de Cabul, Shah Muhammad Rais, português
Eutífron, Platão, português
Everest: O Diário de uma Vitória, Waldemar Niclevicz, português, 2002
Expedição ao Pico da Neblina, Eduardo Augusto, português, 1993
Farol do Espaço Profundo, Roberto Belli, português, Nova Letra, 2012
Fédon, Platão, português, ?
Ghost Stories, M. R. James, inglês, 1931
Haroun and the Sea of Stories, Salman Rushdie, inglês, 1991, Penguin
Harry Potter e a Câmara Secreta, J. K. Rowling, português, 2000, Rocco, tradução de Lia Wyler
Harry Potter e as Relíquias da Morte, J. K. Rowling, português, 2007, Rocco, tradução de Lia Wyler
Harry Potter e a Ordem da Fênix, J. K. Rowling, português, 2003, Rocco, tradução de Lia Wyler
Harry Potter e o Cálice de Fogo, J. K. Rowling, português, 2001, Rocco, tradução de Lia Wyler
Harry Potter e o Enigma do Príncipe, J. K. Rowling, português, 2005, Rocco, tradução de Lia Wyler
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, J. K. Rowling, português, 2000, Rocco, tradução de Lia Wyler
Harry Potter e a Pedra Filosofal, J. K. Rowling, português, 2000, Rocco, tradução de Lia Wyler
História da Vida Privada (Volume 1), dirigida por Philippe Aries e Georges Duby, português, 1990
Histórias da Tradição Sufi, português, 1993, Dervish, tradução de Grupo Granada de Contadores de Histórias, coordenação de Nícia Grillo
Histórias Mutiladas, Carlos Felipe Moisés, português, 2010
Intérprete de Males, Jhumpa Lahiri, português, 1999
La Alhambra de Granada, Lluís Casals e Félix Bayón, espanhol, 2000
Lago Sem Nome, Diane Wei Liang, português, 2009, Record, tradução de Ana Quintana
La Hija de Rappaccini, Octavio Paz, espanhol, 1994
La Vida Es Sueño, Pedro Calderón de la Barca, espanhol, 1995
Little Bee, Chris Cleave, inglês, 2008, Simon & Schuster
Los Manuscritos del Mar Muerto, Vidal Manzanares, espanhol, 1995
Madam Crowl's Ghost and Other Stories, Joseph Sheridan Le Fanu, inglês, 1994
Marina, Carlos Ruiz Zafón, português, Objetiva, 2011, tradução de Eliana Aguiar
Marley & Eu: a vida ao lado do pior cão do mundo, John Grogan, português, Prestígio, 2006
Momentos de Encanto, Miriam Virgil, português, Nova Letra, 2010
Muerte de Sevilla en Madrid, Alfredo Bryce Echenique, espanhol, 1994
Mundo por Terra, Roy Rudnick & Michelle Francine Weiss, português, Edição do Autor, 2011, revisão de Eloi Zanetti
New Moon, Stephenie Meyer, inglês, 2007, Atom
Noche Terrible, Roberto Arlt, espanhol, 1995
Nos Passos de um Peregrino, José Caliman Neto, português, 2004
Nosso Iceberg Está Derretendo, John Kotter e Holger Rathgeber, português, Best Seller, 2006
Nosso Lar, Francisco Cândico Xavier, português, 1997
No Tempo das Tangerinas, Urda Alice Klueger, português
O Amante de Lady Chatterley, D. H. Lawrence, português, Martin Claret, 2006
O Ano da Leitura Mágica, Nina Sankovitch, português, Leya, 2011, tradução de Paulo Polzonoff
O Ateneu, Raul Pompéia, português, 1888
O Caminho: Uma Jornada do Espírito, Shirley MacLaine, português, Sextante, Rio de Janeiro, 2000, tradução de Renata Catanhede Amarante
O Demônio e a Srta. Prym, Paulo Coelho, português, 2000
O Dossiê Iscariotes: entrevista com Deus, Marcos Losekann, português, Planeta, 2006
O Espantalho e seu Criado, Philip Pullman, português, tradução de Daniel Estill, Objetiva, 2009
O Extraordinário Poder da Intenção, Esther & Jerry Hicks, português, tradução de Sonia Schwarts, Sextante, 2008
O Fio da Navalha, W. Somerset Maugham, português
O Hobbit, J. R. R. Tolkien, português, São Paulo, Martins Fontes, 2009
O Homem-concha: A Casa do Penhasco, Johnny Virgil, português, Blumenau, Ed. do Autor, 2011
O Jardineiro do Amor, Rabindranath Tagore, português, 1983
O Jogo do Anjo, Carlos Ruiz Zafón, português, 2008, Objetiva
O Jovem Törless, Robert Musil, português
O Livreiro de Cabul, Åsne Seierstad, português
O Mensageiro da Concha, Chitra Banerjee Divakaruni, português, tradução de Maria Alice Máximo, Objetiva, 2004
O Monge e o Executivo, James C. Hunter, português, 2004
One Amazing Thing, Chitra Banerjee Divakaruni, inglês, 2010, Hyperion
Onze Minutos, Paulo Coelho, português, 2003
O Pacto, Jodi Picoult, português, 2007, The Pact
O Pálido Olho Azul, Louis Bayard, português, 2007, The Pale Blue Eye, Planeta, tradução de Lea P. Zylberlicht
O Pássaro Azul, Maurice Maeterlinck, português
Os 5 Desafios das Equipes: uma fábula sobre liderança, Patrick Lencioni, português, tradução de Márcia Nascentes, Rio de Janeiro, Elsevier, 2009
Os Conquistadores, Júlio Verne, português, tradução de Antonio Carlos Viana, Porto Alegre, L&PM, 2005
O Segredo da Montanha, Maicon Tenfen, português, Blumenau, Hemisfério Sul, 1998
O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, J. R. R. Tolkien, português, São Paulo, Martins Fontes, 2009, tradução de Lenita Maria Rímoli Esteves e Almiro Pisetta
O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, J. R. R. Tolkien, português, São Paulo, Martins Fontes, 2009, tradução de Lenita Maria Rímoli Esteves e Almiro Pisetta
Os Fios da Fortuna, Anita Amirrezvani, português, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2007, tradução de Regina Lyra
O Silmarillion, J. R. R. Tolkien, português, São Paulo, Martins Fontes, 2009
Os Marinheiros Perdidos, Jean-Claude Izzo, português, tradução de Vera Gertel, Rio de Janeiro, Record, 2001
Os Segredos da Mente Milionária: aprenda a enriquecer mudando seus conceitos sobre o dinheiro e adotando os hábitos das pessoas bem-sucedidas, T. Harv Eker, português, tradução de Pedro Jorgensen Junior, Rio de Janeiro, Sextante, 2010
O Totem do Lobo, Jiang Rong, português, tradução de Vera Ribeiro, Rio de Janeiro, Sextante, 2008
O Traidor de Belém, Matt Beynon Rees, português, 2007
O Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto, português, 2002
Out Stealing Horses, Per Petterson, inglês, 2005, Picador, translated by Anne Born
O Vampiro de Curitiba, Dalton Trevisan, português
Parque dos Cervos, Norman Mailer, português, 2001, Record, tradução de Alves Calado
Paulo e Estêvão, Franciso Cândido Xavier, português, 2003, Federação Espírita Brasileira
Poemas Místicos, Jalal ud-Din Rumi, português, 1996
Pompeya Reconstruida, Maria Antonietta Lozzi Bonaventura, espanhol, Archeolibri
Prisioneira em Teerã: memórias, Marina Nemat, português, 2007, Planeta, tradução de Cecília Gouvêa Dourado
Quase Memória, Carlos Heitor Cony, português, 2003
Queen of Dreams, Chitra Banerjee Divakaruni, inglês, 2004
Robinson Crusoe, Daniel Defoe, português, Martin Claret, 2006
Santiago de Compostela: Os 8 Portais do Caminho, Ricardo Mendes, português, Rio de Janeiro, Axcel Books, 2002
Segurança e Auditoria da Tecnologia da Informação, Cláudia Dias, português, Axcel Books, 2000
Shadowland, Chitra Lekha Banerjee Divakaruni, inglês, Roaring Book Press, 2009
Shirley, Charlotte Brontë, inglês, Penguin, 1994
Sister Of My Heart, Chitra Banerjee Divakaruni, inglês, Anchor Books, 2000
Sons and Lovers, D. H. Lawrence, inglês
Sorcerer's Apprentice: an incredible journey into the world of India's godmen, Tahir Shah, inglês, Arcade, 2011
The Art Of War, Sun Tzu, inglês
The Aviary, Kathleen O'Dell, inglês, Alfred A. Knopf, New York, 2011
The Battle of the Labyrinth: Percy Jackson & The Olympians: Book Four, Rick Riordan, inglês, 2009, Disney Hyperion, New York
The Disintegration Machine, Sir Arthur Conan Doyle, inglês, 1995
The Fortunes and Misfortunes of the Famous Moll Flanders, Daniel Defoe, inglês, Wordsworth Editions, 1993
The Girl Who Kicked The Hornet's Nest, Stieg Larsson, inglês, Alfred A. Knopf, 2010, tradução de Reg Keeland
The Girl Who Played With Fire, Stieg Larsson, inglês, Vintage Crime/Black Lizard, 2010
The Girl With The Dragon Tattoo, Stieg Larsson, inglês, Vintage Crime/Black Lizard, 2009
The Land Of Mist, Sir Arthur Conan Doyle, inglês, 1995
The Last Olympian: Percy Jackson & The Olympians: Book Five, Rick Riordan, inglês, 2011, Disney Hyperion, New York
The Lightning Thief: Percy Jackson & The Olympians: Book One, Rick Riordan, inglês, 2006, Disney Hyperion, New York
The Lost World, Sir Arthur Conan Doyle, inglês, 1995
The Mirror Of Fire And Dreaming, Chitra Banerjee Divakaruni, inglês, 2007
The Mistress of Spices, Chitra Banerjee Divakaruni, inglês, 1998, Anchor Books
The Plumed Serpent, D. H. Lawrence, inglês, 1995
The Poison Belt, Sir Arthur Conan Doyle, inglês, 1995
The Riddle Of The Sands, Erskine Childers, inglês, 1993
The Sea Of Monsters: Percy Jackson & The Olympians: Book Two, Rick Riordan, inglês, 2008, Disney Hyperion, New York
The Sufis, Idries Shah, inglês, 1971, Anchor Books, New York
The Titan's Curse: Percy Jackson & The Olympians: Book Three, Rick Riordan, inglês, 2008, Disney Hyperion, New York
Tragédia no Pólo, Wilbur Cross, português, 2002, Record, Tradução de Ruy Jungmann
Twilight, Stephenie Meyer, inglês, Atom, 2009
Um Grito de Amor do Centro do Mundo, Kyoichi Katayama, português, 2011, Objetiva, Rio de Janeiro, tradução de Lica Hashimoto
Um Milagre em Equilíbrio, Lucía Etxebarria, português, 2006
Una Tarde de Domingo, Roberto Arlt, espanhol, 1995
Vagabundo en África, Javier Reverte, espanhol, 1998
Verde Vale, Urda Alice Klueger, português
Violetas na Janela, Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, português, Petit, 2001
When The World Screamed, Sir Arthur Conan Doyle, inglês, 1995
WikiLeaks: A Guerra de Julian Assange contra os Segredos de Estado, David Leigh e Luke Harding, português, 2011, Verus, tradução de Ana Resende


A Arma da Casa
Nadine Gordimer, português, 1998

Fez-me lembrar "O Processo" de Kafka. O ambiente jurídico e penal é incompreensível, imperscrutável. No fundo, como a autora sugere, tanto juízes como advogados são atores, representam algo intangível e certamente distanciado da realidade.
O livro, contudo, enfoca outro aspecto, de maneira menos direta, mas não sem importância: a ambígua relação de proximidade/isolacionismo que há entre pais e filhos. Os filhos são seres que mantêm seus segredos, que não podem ser dissecados ou explicados racionalmente, como alguns pais tentam apregoar.
Algo que deve ser notado no livro é o grande número de travessões. No entanto, presumo que seja um erro de tradução: em inglês, os travessões equivalem às nossas reticências.


A Cabana
William P. Young, The Shack, português, Sextante, 2008

A história começa bem e vai bem até o desaparecimento de Missy; após isso, ela se transforma em um livro didático-religioso sobre a Trindade cristã.
Para leigos, é um livro que pode ter algum valor, sem dúvida. Todavia, discordo do autor quando ele diz que a raiva seria permissível após o perdão. A raiva é um dos maiores problemas da humanidade; esconde todos os defeitos; uma pessoa com raiva não consegue estabelecer relacionamentos; a raiva se transforma em ódio, mas pode ser muito mais abrangente sem ser ódio.
Estilisticamente, o livro não tem nada de especial. Em alguns pontos, pareceu-me uma continuação dos livros de Richard Bach. Ainda prefiro Gibran Khalil Gibran.


A Casa do Califa: Um Ano em Casablanca
The Calif's House, Tahir Shah, português, tradução de Pedro Ribeiro, Roça Nova, 2008

É o primeiro contato que tenho com Tahir Shah. Percebo que há muito mais ainda a explorar.
É um livro de viagem, que conta sobre os primeiros tempos de sua vida em uma casa adquirida em Casablanca e as diferenças culturais entre o ocidente e o mundo árabe, especialmente no que se refere ao Marrocos. Se o relato não contiver exageros, certamente é bastante cheio de caricaturas.
Adoro leituras dessa natureza, porque permitem que você aprenda algo prático. Ainda não conheço o Marrocos, mas - quem sabe não chegarei lá algum dia?
Certamente irei em busca de outros livros do autor (e do seu avô, Sirdar Ikbar Ali Shah).


A Casa do Penhasco
Peril At End House, Agatha Christie, português, tradução de Laís Myriam Pereira Lima, Nova Fronteira

É uma das típicas histórias de Agatha Christie: você não consegue decidir quem é o criminoso. Será o menos óbvio? Ou será que realmente não prestamos atenção aos detalhes? O fato é que nunca consegui apontar o(s) responsável(is).
Vale a pena ler.
O nome do livro pode gerar uma pequena confusão com O homem-concha: a casa do penhasco, mas não há nenhuma semelhança além do fato de existir uma casa à beira do penhasco em ambas as obras.


A Casa do Penhasco
Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, português, Petit, 2000

É um livro de várias histórias entrelaçadas pela reencarnação, segundo a crença espírita.
Chega a ser bastante didático em muitos momentos. Falta-lhe plausibilidade em muitos trechos, não em relação à crença, mas, sim, à ordenação dos fatos.
Seria necessário revisar o texto, pois foram inúmeros os deslizes gramaticais encontrados na edição que li.
Para um livro com 30 000 volumes de tiragem inicial, a capa é horrível, além de não ser fiel à história.


A Cidade do Sol
Khaled Hosseini, português, 2007, A Thousand Splendid Suns, Maria Helena Rouanet

Em diversos aspectos, é semelhante aO Caçador de Pipas. Um relato com o mesmo fundo histórico, o mesmo ambiente social, os típicos problemas familiares, o mesmo Afeganistão maltratado pelas revoltas e guerras. Também lembra O Livreiro de Cabul, ao focar as mulheres.
Em geral, a história é bonita, principalmente no início, na parte que relata a vida de Mariam. Obviamente, à Hosseini não poderiam faltar as cotas de tristeza, violência e morte; e eles se encontram presentes em diversos pontos do texto. Aliás, o texto não é senão uma sucessão de tristezas seguidas por curtos intervalos de bem-aventurança. Talvez seja essa a técnica que faça com o que leitor não largue o livro: quando ele pensa em deixar o livro de lado por um momento, uma nova desgraça se sucede, requerendo mais atenção.
Não sei se com o tempo e com a repetição da mesma forma de sucesso, a gente não acaba menosprezando os valores reais do livro. Contudo, achei este volume inferior aO Caçador de Pipas, que me pareceu ter muito mais dramaticidade.


A Cozinha Açafrão
Yasmin Crowther, português, 2007, The Saffron Kitchen, Thelma Médici Nóbrega

Comprei o livro em uma promoção, por R$ 9,90. Valeu a pena.
É um livro belíssimo, que captura uma situação que considero uma das mais terríveis dentro dos relacionamentos conjugais: aquela em que um dos parceiros nunca está totalmente presente. Por mais que se construa uma vida inteira em conjunto, a cumplicidade nunca é forjada. Depois de um tempo, é como se um vazio cada vez maior separasse as duas pessoas.


A Estrada
Cormac McCarthy, The Road, português, Alfaguara, 2007, Adriana Lisboa

É um dos livros mais surpreendentes que li nos últimos tempos. A vida pós-Apocalipse, o relacionamento entre pai e filho menino, a luta diária pela sobrevivência entremeada com o afeto, as duras confrontações (suicídio, homicídio, canibalismo, fome, sede, doença, morte, roubo, anarquia, impotência) são tratadas finamente. É um desses livros que deixam uma marca na memória, assim como Fome de Knut Hamsun.
Os diálogos seguem a forma introspectiva de José Saramago, com pontuação escassa e, às vezes, ambígua.
Tenho a impressão de que algo foi perdido com a tradução, mas não consigo explicar exatamente o quê.


Agora é Pra Valer: a verdadeira história de quem passou de chefe dos outros a líder de si mesmo
Marcia Luz, português, DVS, 2012

Segue a linha de "O Monge e o Executivo" e "Nosso Iceberg Está Derretendo". Apresenta uma visão romanceada da conversão de um chefe dominador e insensível em um líder preocupado com os seres humanos, num estilo simples, despojado, sem rebuscamento ou detalhes.
Por suas características didáticas, não devemos considerar o seu valor literário.
Como aspecto negativo, sugeriria uma revisão para retirar imperfeições.


A Grande Aventura Masculina: como encontrar seu coração selvagem e descobrir uma vida de desafios e emoções
John Eldredge, português, 2007, tradução de Emirson Justino, Thomas Nelson Brasil, Rio de Janeiro

O autor divide as fases da vida do homem (em contraposição à da mulher) em seis grandes estágios, apesar de aparecem de forma simultânea de acordo com o momento: filho amado; caubói; guerreiro; amante; rei; sábio. Ele consegue ser bastante convincente nas suas colocações, mesmo que o texto esteja cheio de referências bíblicas (não chegam a inviabilizar a leitura).
De certa forma, o autor sugere a volta à natureza, a presença do pai na educação dos filhos homens e a resolução em Deus dos problemas ocorridos com a figura paterna no passado.


A Jornada
Erin E. Moulton, português, Novo Conceito, 2011

Um livro diferente, com uma capa lindíssima.
Na literatura, dificilmente o escritor põe uma criança narrando em primeira pessoa, porque existe um grande risco de a história ser artificial. Por vários motivos: o vocabulário deve ser restrito; a lógica ainda não está formada na criança; a relação dela com o mundo é mais egocêntrica; a amplitude de percepção é muito inferior à de um adolescente ou adulto. Mas a autora dribla esses percalços com certa criatividade, o que torna a leitura agradável e a história, plausível.
Existe um trecho muito bonito:

[...] acontece alguma coisa com o cérebro das pessoas quando elas ficam velhas. Alguma coisa interfere de um jeito que elas param de acreditar em fadas, fantasmas, e também em milagres, eu acho. Mas tenho certeza de uma coisa: esperaça não faz milagre, nem médicos, nem irmãs.

A história fala da busca de um milagre, da crença de que são possíveis, viáveis. Concordo plenamente que são. Eles acontecem todos os dias, basta observar.


Alma Gêmea
Deepak Chopra, português, 2001

Um livro bem escrito, mas não completo. Faltaram as sutilezas, as justificativas, para que a narrativa tivesse o seu estilo enriquecido.
Eu, particularmente, não acredito nas almas como seres ou entidades personificados. A personificação é fruto do nosso cérebro acostumado a imagens, no meu modesto entender. Todavia, creio na capacidade humana de percepção e no salutar desejo de buscar a felicidade - ou o amor.


A Luz que se Apagou
Rudyard Kipling, português, 1971, The Light That Failed, João Távora

Para quem está acostumado com as histórias indianas de Kipling, pode-se espantar com o tom deste livro. É um livro extremamente amargo e "melancólico". Termina como se fosse uma gargalhada infernal. É a desconstrução da Melancolia representada em um quadro e transportada para o front de batalha no deserto.
Os diálogos também são duros, e a transição entre as cenas é, muitas vezes, brusca.
Por fim, não é uma obra-prima, mas é densa e verossímil.


Amazônia: Um Caminho para o Sonho
Marli Carmen Jachnkee, português, 2011

O livro tomou-me apenas uma semana e meia de leitura. É um livro leve, linear.
É um romance didático, dialógico, sócio-histórico-cultural. Apresenta as características da literatura de viagem, mas é ficção. O aspecto didático acaba sobrepondo-se à narrativa, encobrindo a tensão comum a um romance puramente ficcional (mas aparece, por exemplo, na não despedida de Rafaela e Ana Carolina, e no episódio do aparecimento do muiraquitã). Incutem-se, também, noções de preservação da Amazônia, além de lições morais.
O público preferencial para o livro são alunos da rede de ensino, de formal geral. Poderia ser utilizado com extremo sucesso no ensino fundamental e no secundário de escolas da Região Norte, especialmente Amazonas e Pará, justamente em função de suas qualidades didáticas, dos aspectos históricos relatados e da singeleza do texto.
É pena que o romance entre Rafaela e Daniel não tenha evoluído muito. Talvez apareça em outro volume, outro sonho.


A Mulher Desiludida
Simone de Beauvoir, português, 2003

As três histórias que compõem o livro são fantásticas. Reais e humanas, incontestavelmente, com uma verossimilhança que beira a crueldade pura.
As histórias tratam de três mulheres que fracassaram. Que fracassaram no amor, sobretudo: no amor ao marido, no amor aos filhos, no amor a si mesmas. Cheias de dúvidas, a ponto de não mais saberem fazer qualquer tipo de discernimento. O temperamento delas flutua, tem altos e baixos, revela a própria inconstância do ser humano.
A primeira história é que a mais me toca. Apesar de ser homem, tenho os mesmos temores em relação à velhice. Medo de que a inteligência atrofie, de que as relações se esfriem, de que os sentimentos congelem e a vida se transforme em automatismo e monotonia.
O livro é uma obra-prima, certamente.


A Náusea
Jean-Paul Sartre, português, 1938

É um exemplo típico do existencialismo. A "náusea" nada mais é que a consciência das coisas como elas são na sua natureza mais nua, desprovidas de qualquer sentimentalismo ou idealização. A noção do passado e do futuro perdem-se, já que a existência se restringe ao momento atual. Apesar de eu considerar o existencialismo válido, pergunto-me se não comete um erro ao ignorar a emoção como moto da vida humana. O próprio Roquentin se vê enredado por emoções que tenta dissimular por meio de divagações pessimistas.


Andando em Círculos: As Pedras Milenares e o Caminho da Tríplice Espiral
Ricardo Mendes, português, 2004, Axcel, Rio de Janeiro

As imagens são diferentes, não propriamente belas dentro de um contexto estético tradicional, mas traduzem uma percepção menos afeita ao parecer, mais próxima do ser.
O texto é belo, leva à reflexão. Eu próprio me identifiquei nele.


Apologia de Sócrates
Platão, português

É a defesa de Sócrates contra os que o acusavam de corromper a juventude e não crer nos deuses.
É difícil acreditar que uma pessoa que buscava um mundo justo e perfeito tenha sido condenada à morte. Era, certamente, a única maneira de calar aquele que apontava todos os erros, os erros de todos, inclusive os seus. As razões políticas são evidentes, uma vez que a sua pessoa exercia uma influência praticamente indelével.
Mas ele próprio acha graça de ter vivido tantos anos sem quaisquer empecilhos!


Arenas Movedizas
Octavio Paz, espanhol, 1994

É um livro maravilhoso. Os textos são curtos, metafóricos, densos, recursivos e originalíssimos. Octavio Paz tem-me surpreendido como escritor e intelectual.
Dois textos chamaram a minha atenção em especial.
O primeiro se chama "El Ramo Azul". É aterrorizante imaginar que, no breu da noite, um louco pode querer roubar os nossos olhos - um capricho maníaco.
O segundo é "Mi Vida Con La Ola", em que um homem se apaixona por uma onda do mar. No fundo, retrata o ciclo de um relacionamento amoroso, da beleza inicial à indiferença do desfecho.


As Cidades Invisíveis
Ítalo Calvino, português

O livro é breve, de realismo fantástico, e consiste de relatos imaginários sobre cidades imaginárias feitos por Marco Polo a Kublai Khan.
De princípio, é um livro chato. À medida que se avança na leitura, é inevitável que se dê menos importância ao que está escrito e se passe a divagar. Porque esta é a finalidade do livro: indicar o poder da nossa subjetividade, mostrando o tudo e, também, o vazio que preenchemos com os nossos devaneios e impressões.
Certamente, o livro é crítico: crítico da organização social humana (as cidades); crítico, até, das coisas que temos como sagradas, como a alma, como o sentido da vida.
A beleza do livro está na gama de possibilidades, no que a intenção humana pode engendrar: infinitas cidades de características díspares, o paraíso ou o inferno.


As Faces de Deus na Obra de um Ateu: José Saramago
Salma Ferraz, português, 2003, UFJF e Edifurb

Saramago sempre me encantou, desde o primeiro livro dele que li, "História do Cerco de Lisboa". Seu jeito único de escrever, apenas com parágrafos, pontos, vírgulas e maiúsculas, cria uma atmosfera muito empática com o leitor. Se existe uma beleza estética, existe também uma beleza de conteúdo, muito bem explorada por Ferraz, que analisa as grandes obras do escritor.
Em Saramago, os homens são joguetes de Deus, uma criatura malvada, egoísta e egocêntrica. Contudo, quando fala "Deus", está referindo-se à personagem criada pela ortodoxia das religiões e pelos exageros da Igreja.


As I Lay Dying
William Faulkner, inglês, 1987

Em poucas palavras: é um livro maravilhoso. Uma leitura é pouco demais; é preciso lê-lo inúmeras vezes, para que seja possível compreender todos os aspectos, em vista da sua estrutura revolucionária.
A história é narrada por diversos personagens, na forma de um monólogo interior. Cada capítulo do livro corresponde à fala de um personagem distinto. O texto é contaminado do jeito de falar do interior americano, dos erros de pronúncia e de pontuação propositalmente irregular, tornando a leitura difícil. Eu nunca admitiria uma tradução para esse livro, pois todo o seu brilhantismo lingüístico seria perdido.
É uma dessas histórias que misturam tristeza, ironia, pobreza e má sorte.
Enquanto a mãe está em seu leito de morte, seu filho Cash prepara o caixão que a abrigará. Saber que ela ouvia o cortar da madeira já causa repugnância.
Após a morte da mulher, Anse resolve enterrá-la em Jefferson, outra cidade, como era desejo da falecida. Uma série de infortúnios ocorre durante o trajeto, fazendo com que o corpo só seja enterrado muitos dias depois. O afogamento das mulas, a perna quebrada de Cash, a venda do cavalo de Jewel, a loucura de Darl, o fogo no celeiro, os pássaros são apenas alguns deles.
A ironia da história está realmente no final. Após causar algum tipo de destruição em cada um dos filhos, Anse compra uma dentadura nova e escolhe outra mulher para viver com ele.


A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafón, português, 2007

Novamente, uma história à volta dos livros. Os livros, cada vez mais, são símbolo do mistério, de uma outra divindade. Carregam uma vida particular dentro de si.
Este livro não é magistral pela mensagem que passa, nem mesmo pela história. Diria que se aproxima muito de uma novela, daí a razão do seu sucesso. É através de um jogo com personagens-caricatura, com uma sucessão rápida de eventos, que o escritor prende a atenção do leitor.
No entanto, o livro é impecável em termos de estrutura, trabalhando muito bem o cíclico.


As Memórias do Livro
Geraldine Brooks, português, 2008

Não é um livro fabuloso e não é didático. Em certos momentos, é encantador; e, em geral, é fiel à história. Aprendi muito sobre os judeus, sobre a guerra étnica na antiga Iugoslávia e sobre a Haggadah de Sarajevo. Sem falar em todos os momentos históricos relevantes que são o pano de fundo da trajetória desse livro, envolvendo cristãos, muçulmanos, nazistas...
Um comentário paralelo: virou moda falar sobre livros. Há algo de mágico em se falar deles.


Assassinato na Casa do Pastor
Agatha Christie, português

É um desses livros que não se consegue parar de ler. Dá aquela vontade de se ir até a última página para saber do fim, o quanto antes, na forma de uma urgência característica para esse tipo de livro. Como sempre, Agatha Christie faz aqueles típicos comentários criticando a "cegueira" dos comuns mortais.


A Venezuela que se Inventa
Gilberto Maringoni, português, 2004

É um livro bom, que visa a traçar um painel político da Venezuela no passado recente e ao longo do século XX. Sem dúvida, é um país de grandes contrastes, da riqueza produzida pela exploração do petróleo e da pobreza dos marginalizados.
O livro enfoca basicamente os problemas enfrentados por Chávez. Sem dúvida, a parte mais interessante do livro é a que trata da participação da mídia no ato golpista que buscava remover o presidente do poder.


Avenida das Américas
Carlos André Ferreira, português, 2003

Menos viagem, mais política. Esse livro conta alguns episódios que envolveram uma viagem de bicicleta dos Estados Unidos ao Brasil, sob uma ótica político-social. Afinal, o autor tem seu lado revolucionário, como se descobre em diversas partes do texto.
Não que o trajeto tenha sido feito todo no selim da bicicleta; o autor se valeu de diversos outros meios para encurtar as distâncias.
Às vezes, o autor revela inocência ao tecer julgamentos e ao utilizar uma linguagem informal, revelando a juventude de quem viveu o livro antes de ser escrito.
O livro vale por algumas passagens em que solidão, força de vontade, extroversão e empreendedorismo são mostradas como indissociáveis da índole humana.


A Vida de Pi
Yann Martel, português, 2001

Comprei o livro pela capa: um barco, um tigre e um rapaz. É uma dessas escolhas felizes, que raramente são produtivas se nos interessamos pelo exterior e não pelo conteúdo.
A história tem três momentos. O primeiro deles evoca a infância de Pi Patel, filho de um diretor de zoológico, e o seu fervor religioso. O segundo trata do naufrágio do navio em que sua família havia partido da Índia para o Canadá e da sua sobrevivência no mar. O terceiro conta o seu salvamento.
O que intriga o leitor é a situação inusitada em que o náufrago se encontra. Divide o seu bote salva-vidas com quatro animais: uma zebra, uma hiena, um orangotango e um tigre. O último a restar vivo é o tigre, após mais de 200 dias à deriva no mar.
Do não crível para o crível, o livro seduz. Ao fim, é possível entender toda a magia envolvida na narrativa e, mesmo, recordar-se dos leões em "O Velho e o Mar", de Hemingway. O ser humano se transforma em situações extremas.
É um livro para ser lido duas vezes.


Beatrice And Virgil
Yann Martel, inglês, 2011, Spiegel & Grau

Apesar de tratar do Holocausto, o livro o transcende, porque não remete aos fatos, mas aos sentimentos, e utiliza como veículo a fala de animais personificados: uma besta (Beatrice) e um bugio (Virgil). Os nomes Beatrice e Virgil são tirados de "A Comédia", de Dante Alighieri. Este (Virgílio) conduz Dante ao Inferno e ao Purgatório; aquela (Beatriz), ao Paraíso. O livro supera a localidade e se torna universal, na medida em que representa o horror de quaisquer oprimidos.
É um livro lindo, enigmático no início. Só se entenderá exatamente o que o taxidermista deseja quase ao fim: uma salvação para quem contribuiu para o massacre. É igualmente horrendo, nas entrelinhas.
Os jogos de Gustav são de uma grande ironia e de um humor macabro.
Sem dúvida, a descrição da pera é magnífica, linda e verdadeira.
Em suma, um livro belo em termos de estética, mas triste, tristíssimo, no seu teor.


Bin Laden Não Morreu!
Anderson Fabiano, português, 2012, Bárbara, Blumenau

Também me soou muito estranha a morte de Bin Laden, sem grande alarde, sem corpo, sem respeito ao espaço aéreo paquistanês. Nem precisamos de uma teoria da conspiração para fazer conjeturas.
O livro de Anderson Fabiano trata de várias incoerências no discurso das autoridades em relação à morte de Bin Laden e aos ataques ao World Trade Center. De aliado do governo americano a homem mais procurado no mundo, Bin Laden certamente é uma figura emblemática da política externa dos Estados Unidos.
Apesar da relevância dos dados, o livro chega a ser um pouco repetitivo. Merecia, também, uma revisão ortográfica mais criteriosa.


Black Beauty
Anna Sewell, inglês, 1877

O interessante nesta história é a simplicidade com que um cavalo se vale da primeira pessoa do discurso para expressar os mandos e desmandos dos seus múltiplos donos.
A história não permite, todavia, que o cavalo, chamado de Black Beauty, seja insubmisso aos desejos estapafúrdios dos homens.
O livro denuncia os maus-tratos dados a cavalos e é um dos primeiros a exigir o respeito aos direitos dos animais.


Brasil, País do Futuro
Stefan Zweig, português, 1981

Havia anos que esperava ler este livro. A gente sempre se acaba perdendo no meio do caminho dos livros.
Esta é uma leitura essencial para pessoas que querem entender o Brasil, pois apresenta o ponto de vista de um humanista e intelectual europeu, viajado, conhecedor do mundo e de diversas culturas. É justamente a sua distância para com a nossa realidade que lhe permite interpretar o jeito de ser do brasileiro, algo que nós não podemos fazer sem incorrer no risco de sermos tendenciosos.
É interessante notar a forma como se apaixona pelo Brasil, apesar de seus defeitos, e retrata com fieldade principalmente as cidades de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo na década de 1940. Ao se analisar essa fotografia, pode-se perceber que o Brasil não mudou muito até o início do século seguinte.


Breaking Dawn
Stephenie Meyer, inglês, Little, Brown, 2008

Sem dúvida, o pior livro da série. Aliás, a série Crepúsculo foi perdendo a empatia com o leitor a partir do segundo volume.
Ao Bella se tornar uma vampira, toda a esperança se perde, e ela, como personagem, deixa de ser interessante, porque é a sua natureza física e psicologicamente humana que prende a atenção do leitor.
A história é um conjunto de situações ridículas: uma filha nascida de um vampiro, apenas meio humana; a paixão de Jacob pela menina; a aceitação de Charlie. Cenas realmente patéticas.
Há termos em português escritos errado.


Cândido ou o Otimismo
Voltaire, português, Martin Claret, 2004, tradução de Pietro Nassetti

Uma sátira muito interessante. Em primeiro lugar, o objetivo é criticar o excesso de otimismo do filósofo alemão Leibniz e a própria inutilidade da filosofia frente ao trabalho, ao fazer com que Cândido sofra uma sucessão de peripécias das mais trágicas.
Mas não é necessariamente o ponto que considero mais relevante na obra. O que me interessa sobremaneira é a sua visão globalizada; a mobilidade do ir e vir no espaço (só muito mais tarde Virginia Woolf abordaria a mobilidade no tempo, em Orlando); a quase ubiquidade do dinheiro; o interligamento de lugares, povos, culturas, pessoas e fatos.


101 Dias em Bagdá
Åsne Seierstad, português, 2006

Seierstad aparece nesse livro muito mais humana do que em O Livreiro de Cabul. Se naquele fui obrigado a criticá-la por sua inconveniência ao tratar de pessoas reais, neste senti uma preocupação maior em preservar os entrevistados.
É interessante observar o controle rígido da informação que havia no Iraque, a propagação indefinida da imagem de Saddam Hussein, a contínua repetição de mentiras e chavões em relação ao regime.
Quanto à invasão, sem dúvida, os americanos não foram os heróis que os iraquianos esperavam.


Concurso de Poesía en Homenaje al Centenario del Nacimiento del Poeta: Pablo Neruda
vários autores, espanhol, 2005

Alguns dos poemas são muito bonitos. No entanto, o livro peca em alguns aspectos: os autores são apresentados sob pseudônimo, os poemas apresentam inúmeros erros de digitação e o texto aparece truncado.
Constituem-no os poemas enviados para o concurso, em 2004, na Austrália, tendo sido promovido pela Asociación Cultural Chilena de Canberra.
Apareço no livro sob o pseudônimo de Paco Fuentes. O poema se chama Poema de los Cuatro Elementos al Señor Neruda.


Congelados no Tempo
Owen Beattie e John Geiger, português, 2001, Record, tradução de Celina Cavalcante Falck

É um relato incrível das descobertas feitas a partir dos despojos remanescentes da expedição de 1848 de John Franklin ao Ártico. Fome, canibalismo, envenenamento por chumbo foram algumas das faces sinistras dessa aventura malfadada.
Surpreendentes são as imagens presentes no centro do livro, dos corpos de três tripulantes preservados em seu túmulo pelo permafrost. As feições permaneceram quase intactas, e é possível sentir até um desconforto ao mirá-las por muito tempo.


Críton
Platão, português

É o dialógo entre Críton e Sócrates. Críton quer que Sócrates fuja da prisão e se vá para outra cidade, para que a pena de morte não seja executada. Sócrates o demove desse propósito, porque iria contra tudo o que tinha ensinado durante toda a vida.


Cruzeiros do Sul
Urda Alice Klueger, português, 2004, Hemisfério Sul

É uma obra fantástica, de primeira linha, belamente escrita, ampla e ímpar, um exercício da formação do povo catarinense e, quiçá, brasileiro. Um amálgama de etnias, de culturas e classes sociais, todas unidas pela miscigenação.
Em muitos momentos, vi os meus próprios antepassados representados na história. É algo bastante tocante, porque são impressões que dificilmente aparecem assim expressas em palavras.
O personagem principal da narrativa, se assim podemos dizer, é o tempo; e o personagem secundário é a morte, sua fiel escudeira, que encerra as fases da existência humana. É algo tão assustador ver que a vida é uma sequência de nascimentos e mortes, e as mortes aparecem tratadas tão natural e friamente no livro, que o leitor se sente angustiado.
No fim do livro, existe uma crítica social, ao se mostrar que o homem perde a sua dignidade ao renegar a sua ligação com a terra.


Curso de Iniciação Logosófica
Carlos Bernardo González Pecotche, português, São Paulo, Logosófica, 2009

Não conhecia nada de logosofia; continuo não sabendo muito, após a leitura do livro. O texto não é claro, nem objetivo; uma característica da literatura em língua espanhola.
É interessante observar, contudo, a importância da evolução consciente, que pretende desmarcarar as personae, criadas ou adquiridas de outrem, para desobstruir a essência do indivíduo e permitir-lhe pensar por si mesmo, sem interferências.
Só me resta descobrir quais são os métodos que são utilizados para alcançar esse estado de libertação, pois o livro não os menciona claramente.


Devaneios Literários
Mariana Collares, português, 2011, Bookess

Dividiria as crônicas do livro em duas categorias:
a) as de introspecção;
b) as ficcionais.
No que se refere à primeira categoria, as preocupações principais são com o binômio amor-desamor, o passar do tempo, com ares levemente existencialistas, com uma certa tristeza, uma certa desilusão, algumas dúvidas, divagações poéticas.
Quanto à segunda categoria, as crônicas ficcionais aparecem em menor número, mas têm uma originalidade superior. A crônica "Notinhas do Fórum Social Mundial" é uma obra-prima, ao expor os costumes envolvendo o uso social do chimarrão.
Em suma, o livro flutua entre ficção e não ficção, tem um estilo elegante (mas não afetado, rebuscado ou arcaizante), que revela um talento em construção.


Dewey: Um Gato entre Livros
Vicki Myron e Brett Witter, português, 2008, Dewey: a Small-Town Library Cat Who Touched the World, Helena Londres

É a biografia da autora, Vicki Myron, mesclada à do gato Dewey Readmore Books. É um livro bem escrito, bem dividido, claro e, apesar de tudo, conciso. Imagino que esse Brett Witter seja um ghost writer, visto que não aparece em nenhuma parte do livro.
A história do gato é interessante; contudo, às vezes é um pouco repetitiva. Não fossem os relatos sobre a cidade de Spencer e a vida pessoal da autora, o livro seria insosso. Eles é que dão um toque mais humano ao livro.
O livro é melhor que um outro famoso, sobre o cachorro Marley. É bem menos "exagerado" nas colocações.


Dia de Finados
Cees Noteboom, português, 1998

O livro apresenta um estilo diferente de se escrever: o texto perde o seu vínculo com a cronologia habitual, adentrando pelos caminhos do pensamento, onde as idéias fluem com liberdade e as imagens do mundo normal que conhecemos acabam dando vez a manchas foscas, pouco decifráveis e praticamente indefiníveis.
Conta a história de uma pessoa atormentada pelo passado, que vive uma vida sem propósito. Também conta a sua paixão por uma moça perturbada, que acaba por exercer uma influência nefasta.
A beleza do livro está no realismo com que conta os fatos recentes da história alemã e na opinião que se mantém sobre o passado: o passado tem curta duração, seria insuportável viver se o passado não fosse paulatinamente perdido.


Diário do Olivier: 10 Anos de Viagem em Busca da Culinária Brasileira
Olivier Anquier, português, Melhoramentos, São Paulo, 2008

Ganhei o livro em uma promoção. Valeu a pena; li-o rapidamente, em alguns dias apenas. Uma leitura bem leve.
São belas fotos, algumas histórias, receitas com que se deliciar. A do queijo Brie é ótima; nunca pensei que o queijo cozido fosse ter o seu sabor tão alterado. As outras receitas ainda estão por testar.


Dicionário de Nomes Próprios
Amélie Nothomb, português, 2003, Robert des noms propres, Bluma Waddington Vilar

É um livro sobre fantasia e morte.
Plectrude, a garota excepcional, tanto vive em mundo mágico quanto o evoca em outras pessoas. Ela carrega à volta de si tanto admiração quanto desprezo, como se as pessoas a vissem de maneira ambivalente. Talvez a autora tenha realmente escapado à maneira tradicional de qualificar uma personagem de acordo com um único ponto de vista.
Eu não o consideraria um livro que se deva deixa à cabeceira. Deve-se lê-lo apenas uma única vez. A ironia que o perpassa atinge níveis altos. A história parece ser triste, mas tem algo de mórbido. De uma singeleza grotesca, de uma realidade insustentável.
Talvez a trajetória de Plectrude seja a progressiva tentativa de destruição dos olhares repressores do mundo exterior.


Dublinenses
James Joyce, português, 2003

A princípio, não se entende direito porque o livro tem a fama que tem. Os contos parecem ser simples demais, deixam as idéias em suspenso.
Mas a beleza está em seu realismo, na capacidade que o autor tem de penetrar no âmago das personagens, de desnudar os seus pensamentos, a ponto de sermos obrigados a dizer, findo o livro: sim, a verdade é essa.
O livro evoca uma multidão de figuras distintas, de idéias distintas em ocasiões distintas. Todas as situações deixam algo que pensar, uma reflexão incompleta que é entregue ao leitor em um estado pouco digerido.
É, também, difícil dizer de onde parte a angústia: se parte do texto ou se, por força da impressão que gera, parte do próprio leitor.


Eat Pray Love
Elizabeth Gilbert, inglês, 2010, Penguin Books

Livro interessante. Biográfico. A autora escreve muito bem, tem um estilo claro e aberto, às vezes irônico. Ela é uma típica ocidental da classe média-alta que deseja alcançar a paz interior a partir das cinzas de uma vida ao mesmo tempo produtiva, fútil e frustrada.
Quem viu o filme com Julia Roberts pensou que o livro teria mais fatos; pelo contrário, tem menos.
Houve momentos em que achei o livro chato; em outros, não conseguia parar de ler. Partes pertinentes à yoga, que também pratico, ajudaram-me bastante.


Eclipse
Stephenie Meyer, inglês, 2008, Atom

Não sei se o diálogo interior de Bella começou a ficar repetitivo, chato e moroso, mas o terceiro livro da saga não me cativou. Talvez tenha perdido a novidade. Parei de lê-lo algumas vezes, sem ter nenhuma urgência de continuá-lo até o fim, como seria presumível. Praticamente, não existe nenhuma ação: só existe a rixa entre Edward e Jacob e a indecisão de Bella por um ou por outro (que chega a ser irritante). O cúmulo foi Bella estar apaixonada por ambos - certamente, algo muito patético.


Edvard Munch: Imagens de Vida e de Morte
Ulrich Bischoff, português, 2006, Paisagem

A obra de Munch é cercada pela perplexidade da morte, por uma percepção cruel da realidade. É como se autor tivesse de conviver com dois mundos: um representado pela sociedade à qual precisa fingir pertencer; o outro, pela sua mente aberta. O seu imortal O Grito é de um desespero interior tão magistralmente retratado, tão fantasticamente apreensível!
Nas minhas poucas pinturas, as ondulações de Munch parecem estar presentes. É um fato que observei recentemente, sem que tivesse consciência.


Emergência
Steven Johnson, português, 2003

É um livro fascinante. A leitura é agradável, o assunto é interessantíssimo. Ao analisar o desenvolvimento bottom-up, o autor descreve o funcionamento de comunidades de fungos, formigueiros, cidades e cérebros. O leitor acaba defrontando-se com algo a que não está acostumado a ver, apesar de corriqueiro.


El Sombrero de Tres Picos
Pedro Antonio de Alarcón y Ariza, espanhol, 1995

Adoro este tipo de história cuja estrutura é como um emaranhado de linhas que vão sendo separadas uma a uma, provando haver um encaixe perfeito entre elas e revelando um autor esquemático. É o que também me encanta na comédia shakespeareana.
A história continua sendo moderna. Tenho a impressão, em certos momentos, de que o homem evoluiu pouco durante esses milênios de escrita. Uma novela de ciúmes, traição e mal uso do poder são coisas tão banais em nossos dias assim como foram no passado.
Mas o que dá real sabor à obra é a eventual ironia do autor.


Essential Modern Greek Grammar
Douglas Q. Admas, inglês, 1987

O livro está desatualizado em relação às novas regras de acentuação grega, mas não o impede de ser bastante instrutivo (e direto ao ponto, pois tem apenas 90 páginas).
A língua grega é belíssima; a sonoridade é incrível. Espero um dia dominá-la, para poder visitar a Grécia com a possibilidade de interagir com o povo e o ambiente.


Eu Sou o Livreiro de Cabul
Shah Muhammad Rais, português

É a resposta literária do verdadeiro livreiro de Cabul presente no livro de Åsne Seierstad. Apesar de não ser uma obra-prima literária, mesmo porque não se presta a esse fim, o livro conjuga muito engenho para expressar o que o autor viu como um ultraje à sua pessoa.
Eu tive, infelizmente, de concordar com ele.


Eutífron
Platão, português

É o diálogo entre Eutífron e Sócrates. Há muita ironia, tanto no jeito de falar de Sócrates quanto no modo como ele conduz a conversa. O objetivo de Sócrates é demonstrar que as razões que damos às ações nem sempre se fundamentam em algo que possa ser submetido ao crivo da lógica.
O final é esplêndido. Para fugir da enrascada, Eutífron alega falta de tempo...


Everest: O Diário de uma Vitória
Waldemar Niclevicz, português, 2002

Niclevicz é um pouco poeta. O livro está muito bem escrito, bem dividido, e traz várias informações culturais relevantes, seja sobre o Nepal, seja sobre o Tibete. A sua parte central traz fotos muito bonitas.
Acaba-se, claro, escalando o Everest junto com o autor. Acabamos por sentir a atmosfera rarefeita à nossa volta. Niclevicz é mais decidido que forte, e talvez essa obstinação é que lhe tenha permitido alcançar o topo do mundo.
O que me deixou um pouco contrafeito foi o fato de o autor esconder determinadas minúcias, de evitar fazer certos comentários, quando parece óbvio que há mais coisas escondidas entre as linhas sóbrias do texto. Por isso, considero este livro uma obra parcial, que deva, talvez, um dia ser complementada.


Expedição ao Pico da Neblina
Eduardo Augusto, português, 1993

É um desses livros pelos quais você não dá nada: em promoção, meio sujo, capa feia, letra esquisita. Devo ter sorte, porque o livro é bom. Não que ele seja perfeito, mas a linguagem é limpa, sem erros, e os fatos narrados são interessantes.
É um livro que narra a expedição que três amigos policiais empreendem no seio da floresta amazônica com a finalidade de alcançar o topo do Pico da Neblina. Os percalços, os encontros, a raiva, tudo contado de um jeito ingênuo e cativante.


Farol do Espaço Profundo
Roberto Belli, português, Nova Letra, 2012

É um livro de contos de ficção científica. O melhor e mais bem construído é O mar de Galant, que muito me lembrou, pela temática, textos de Sir Arthur Conan Doyle. Os demais contos são triviais.
No geral, os textos precisariam ser mais descritivos. Há momentos quando há muito diálogo, que interfere negativamente na atmosfera a ser criada. As ideias são boas, mas a brevidade do texto prejudica.
A revisão ortográfico-gramatical também ficou a desejar.


Fédon
Platão, português, ?

É o dialógo entre Fédon e Equécrates sobre os últimos momentos de Sócrates, antes da ingestão de cicuta.
Não é um texto fácil de seguir, mas o tema, além de apropriado para a ocasião, é cativante: a alma. Sócrates discorre com propriedade sobre o assunto e com tal sabedoria, que é impossível não ver nele uma pessoa especial.
O fim é triste, mas a sua mensagem conseguiu atravessar todos esses séculos com limpidez extraordinária.


Ghost Stories
M. R. James, inglês, 1931

Muito do que o livro traz já não nos assusta mais. E a pretensão dele, creio, também, não foi ser um livro de terror. Cada conto é uma nova possibilidade, uma variação insuspeitada, prazerosamente criativa, que revela traços folclóricos, sociais e históricos do povo inglês. São marcantes o labirinto de "Mr Humphreys And His Inheritance", o quarto em "Number 13" e o poço em "The Treasure Of Abbot Thomas".


Haroun and the Sea of Stories
Salman Rushdie, inglês, 1991, Penguin

É um livro belíssimo, dos mais belos lidos por mim em 2011.
O livro parodia a realidade (a mais atual). Dessa suprarrealidade, adentra o mundo imaginário das histórias. Com cenas coloridas, com paisagens deslumbrantes, com trocadilhos sugestivos, com diálogos interessantes, essa história mistura o mundo adulto com o infantil - os bons entendedores sabem que a diferença é ilusória. Sonho, fantasia, magia, sobrenaturalidade, comédia, tudo é encontrado no livro, que não deixa de ser extremamente atual, ao tratar de questões como a sujeira, a tristeza e a poluição.
A cena do ônibus subindo a montanha continuará comigo um bom tempo. Mr. Butt é um personagem especial!
A salvação do mundo está nas histórias, sem dúvida.


Harry Potter e a Câmara Secreta
J. K. Rowling, português, 2000, Rocco, tradução de Lia Wyler

Diria que o segundo livro da série é melhor que o primeiro. A narrativa é mais estruturada, mas não deixa de ser um pouco desconexa ainda. No início deste volume, a repetição de diversas definições e a rememoração do fatos ocorridos no episódio anterior foram úteis.
O personagem Harry Potter chega a ser irritante, às vezes, devido a algumas atitudes suas não muito meritosas.
Dois problemas sociais são tratados em especial nesse volume: o preconceito contra a pobreza (dos Weasley) e a fama (com o Prof. Lockhart).
Não sei se não estou lembrado, mas o amor de Gina por Harry não aparece muito bem retratado no filme respectivo, nem no anterior.


Harry Potter e as Relíquias da Morte
J. K. Rowling, português, 2007, Rocco, tradução de Lia Wyler

Após ter terminado a leitura do sétimo e último volume, considero o conjunto uma obra-prima. É incontestável o primor da interconexão dos fatos; é como se toda a trajetória da série tivesse sido planejada com esmero e detalhe antes mesmo de a primeira linha ter sido escrita.
Ler mais de três mil linhas deixa as suas marcas. Sinto falta dos personagens; saber que eles tiveram um fim deixa um vazio muito grande.
A obra fala sobretudo de valores como coragem, abnegação, bondade, aceitação e solidariedade. O mundo seria muito melhor se todos os observássemos.


Harry Potter e a Ordem da Fênix
J. K. Rowling, português, 2003, Rocco, tradução de Lia Wyler

Parece engraçado, mas os livros da série vão ficando melhores à medida que vão sendo publicados. O quinto é, sem sombra de dúvida, o melhor de todos. Não é qualquer livro que me prende tão fortemente: ler 300 páginas em um dia não é algo que faço como costume.
A história vai-se relevando aos poucos, e a trama é magistralmente bem urdida. Se percebi falhas, foram no primeiro e no segundo volumes.
É interessante, também, o fato de os personagens estarem tornando-se adolescentes, adultos e velhos. O livro transparece mais emoção, levando-se em conta que a história como um todo é contada de acordo com a fina ironia inglesa.


Harry Potter e o Cálice de Fogo
J. K. Rowling, português, 2001, Rocco, tradução de Lia Wyler

De todos os 4 livros que já li da série, o quarto é, sem dúvida, o melhor. Parece que chegou a um nível adequado de maturidade.
A história tem ficado cada vez mais pesada e macabra. A primeira morte em tempo real acontece. O passado negro vai-se revelando paulatinamente.
A tradução de Lia Wyler tem apresentado um problema recorrente: o uso de "do" em lugar de "de o", como em, por exemplo: "... depois do professor ter desviado o olhar". Como há muitos leitores jovens, não seria conveniente introduzir uma transgressão à norma culta como essa no texto.


Harry Potter e o Enigma do Príncipe
J. K. Rowling, português, 2005, Rocco, tradução de Lia Wyler

Realmente, Rowling é uma escritora excelente. O livro é fantástico. Pensar na perfeição com que a série foi montada só nos faz tecer elogios.
Ah!, como é triste a morte de Dumbledore... Como ela nos toca, mesmo que ele não tenha sido um personagem tão "participante" durante o transcorrer da história. Não sei; os velhos parecem ter um aura de magnificência à sua volta...


Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
J. K. Rowling, português, 2000, Rocco, tradução de Lia Wyler

É o primeiro livro que realmente pode considerar como tendo sido bem escrito. A trama é mais bem urdida, nota-se que as coisas se encaixam melhor. Existe suspense.
É interessante observar que, no início de cada volume, a autora repete definições importantes, de forma a permitir que o leitor iniciante na série possa começar por qualquer um dos livros.
A melhor parte do livro é a que inicia na revelação de quem é Perebas e que vai até após a volta no tempo.
É uma pena que Sirius Black esteja foragido. Agüentar os Dursley não deve ser fácil para Harry Potter.


Harry Potter e a Pedra Filosofal
J. K. Rowling, português, 2000, Rocco, tradução de Lia Wyler

Como livro inicial da série, não é muito bom. As personagens ainda não estão bem caracterizadas; Harry Potter é um misto de celebridade e inteligência medíocre. O filme chega a ser melhor em muitos pontos. A descrição dos Dursley é interessante.
A tradução feita do livro é muito boa.


História da Vida Privada (Volume 1)
dirigida por Philippe Aries e Georges Duby, português, 1990

Os costumes mudam; os comportamentos mudam; pensar que as nossas preocupações de hoje são as mesmas de 2000 anos atrás é ingenuidade e ignorância.
Não é um livro para leigos; os autores não se preocupam em ser didáticos. Às vezes, parece que foi mal traduzido para o português, pois falta clareza.
Gostei muito de aprender sobre o significado de charitas como amor.


Histórias da Tradição Sufi
português, 1993, Dervish, tradução de Grupo Granada de Contadores de Histórias, coordenação de Nícia Grillo

São histórias que permitem múltiplas leituras e enfatizam o conhecimento, a observação, com vistas à realidade além da aparência. Alguns contos terminam de uma forma incomum, inesperada, o que leva a pensar sobre a intenção que os motiva em seu âmago.


Histórias Mutiladas
Carlos Felipe Moisés, português, 2010

De início, o estilo dos textos me lembrou Jorge Luis Borges e Horacio Quiroga.
Algumas histórias são realmente interessantes. No entanto, outras são tão herméticas, que parecem não passar de pura alucinação. Não é como num conto sufista, em que a mensagem não está na superfície; o realismo fantástico é tomado por um conjunto de conexões não tão óbvias. É como se as histórias realmente tivessem sido mutiladas, faltassem palavras.
Apesar da beleza do estilo, infelizmente o livro tem uma audiência muito reduzida, por conta do hermetismo.


Intérprete de Males
Jhumpa Lahiri, português, 1999

É um livro de contos singelos, unindo Oriente e Ocidente sob a égide de uma mesma idéia: a angústia. No fundo, história, trama e personagens apenas configuram o cenário para conflitos sutis.
A angústia é revelada em circunstâncias que beiram o banalismo. Só uma alma aberta pode compreender certas coisas que as palavras não sabem definir, que os olhos não vêem e que o coração, por inocência, não sente.
É preciso ler este livro como se nos pudéssemos ver em um espelho, como se, na vida, para tudo tivéssemos uma única chance.


La Alhambra de Granada
Lluís Casals e Félix Bayón, espanhol, 2000

As fotos de Lluís Casals são magníficas. Não objetivam uma visão didática das construções, mas buscam identificar as sutilezas dos detalhes, do que escapa ao olho quando se focaliza a grandiosidade. As torres, muralhas e palácios nada mais são do que o elogio ao transitório, ao efêmero, à beleza que deve fazer parte do cotidiano, que deve ser integrada à vida de tal maneira que o paraíso esteja presente a cada momento. As minhas fotos preferidas continuam sendo as da Torre de la Cautiva. No mais, a arquitetura mourisca é esplêndida pela sua singeleza.


Lago Sem Nome
Diane Wei Liang, português, 2009, Record, tradução de Ana Quintana

Uma história mais leve do que se deveria esperar. A melhor parte está no fim - o amor que era para ser e não foi.
O livro é contado no estilo didático chinês, na forma básica de um relato histórico e pessoal, sem grande profundidade ou emoção. E nem se compara ao Doutor Jivago de Pasternak.


La Hija de Rappaccini
Octavio Paz, espanhol, 1994

Não li o conto de Nathaniel Hawthorne em que se baseia esta peça. No entanto, o duelo metafórico (ou amoroso?) entre a vida e a morte, e a simbologia do jardim de ervas medicinais (e do veneno) revelam um entendimento diferenciado sobre o amor e como ele se comporta. Já li outros textos que remetem à idéia, mas aqui o tema aparece em primeiro plano, exposto de forma direta.


La Vida Es Sueño
Pedro Calderón de la Barca, espanhol, 1995

Esta peça de teatro tem grandes semelhanças com as comédias de Shakespeare. Não chega a ser tão criativa, mas a beleza do texto é sublime. O jogo de palavras que dá título à obra (a vida é um sonho) engendra situações em que o texto alcança alturas como esta:

[...] toda la dicha humana
en fin pasa como sueño,
y quiero hoy aprovecharla
el tiempo que me durare,
pidiendo de nuestras faltas
perdón, pues de pechos nobles
es tan propio el perdonarlas.
(Pedro Calderón de la Barca)


Sem dúvida, o fundo moralizante é bastante evidente, justificando as inclinações religiosas do autor.


Little Bee
Chris Cleave, inglês, 2008, Simon & Schuster

É um livro bem escrito, mas não sei se merece a divulgação excessiva que teve. É um esforço realista para descrever a insensibilidade e a falta de solidariedade frente aos problemas econômicos e políticos dos imigrantes ilegais na Inglaterra, fugitivos de perseguição em seus países de origem. Chega a ser depressivo em muitas partes: o dedo decepado, o suicídio de Andrew, o caso de Sarah com Lawrence, a deportação de Little Bee, Charlie que só veste a sua fantasia de Batman, a prisão de Little Bee.
O tratamento dados às falas dos personagens e às diferenças linguístico-culturais é muito bom, de grande acurácia e perspicácia.


Los Manuscritos del Mar Muerto
Vidal Manzanares, espanhol, 1995

Manzanares escreveu um livro claro e objetivo que explica, em poucas palavras, as circunstâncias e a importância dos manuscritos do Mar Morto. Desmistifica muitas das especulações realizadas acerca deles, oferecendo-nos uma análise totalmente desprovida de fantasias.


Madam Crowl's Ghost and Other Stories
Joseph Sheridan Le Fanu, inglês, 1994

Para quem gosta de histórias com cheiro a passado, de contos fantásticos envolvendo espíritos maléficos e todo tipo de aparições, este é o livro ideal. Que não seja lido, todavia, a altas horas. É possível que não se tenha uma noite tranqüila depois.
O livro não é apavorante ou nojento; o que é mostrado se reporta mais aos efeitos da falta de moralidade. Não há a intenção de chocar, de afetar o leitor por meio da brutalidade corporal ou psicológica, como é comum nos estilos modernos de terror.
O estilo é um pouco difícil, especialmente no que se refere ao uso de falas verossímeis, em que se utiliza um inglês não pertencente à norma culta. Mas, no fim, o leitor acaba adaptando-se e não sente mais a diferença.


Marina
Carlos Ruiz Zafón, português, Objetiva, 2011, tradução de Eliana Aguiar

Segue o estilo de A Sombra do Vento. É a mesma mistura de crime, mistério, sobrenaturalidade e romance de juventude, formando um enquadramento gótico.
De início, o Dr. Shelley me lembrou Mary Shelley. E, de fato, comprova-se mais adiante a semelhança com Frankenstein.
É uma leitura cativante, sem dúvida, mas quem já leu outros livros do autor terá a impressão de dèjá vu.


Marley & Eu: a vida ao lado do pior cão do mundo
John Grogan, português, Prestígio, 2006

Tem os seus altos e baixos. Às vezes, parece que Grogan exagera nas más qualidades de Marley; por outras, parece justamente que esquece de contá-las todas. Talvez eu tenha gostado mais do fim do livro, quando Marley já está velho e cansado; soou-me menos pretensioso, mais terno. Tirou-me algumas lágrimas, certamente, pois me fez relembrar a minha querida Collie Lassie, envenenada brutalmente por um vizinho desconhecido.


Momentos de Encanto
Miriam Virgil, português, Nova Letra, 2010

Abaixo, está a apresentação que escrevi para o livro:

Fiquei muito lisonjeado com o convite para apresentar este livro.
Gostaria de dividir a minha apresentação em três partes: biografia, estilo e conteúdo.
Miriam Virgil tem uma biografia singular. A mais nova de uma família de vários irmãos com pendores para a arte, foi a que desenvolveu em maior escala o seu dom. Pintura, dança, fotografia e escrita (para simplificar a lista) são variações de uma mente orientada para a estética, a criatividade e a autogestão.
As manifestações artísticas se revelaram já na juventude. Intensificavam-me momentaneamente em alguns períodos, mas logo eram relegadas a segundo plano, por motivos os mais diversos, por necessidade ou mesmo dúvida. Apesar de conseguir motivar diversas pessoas à sua volta para o exercício da arte, ela própria se via frustrada em seus sonhos e em suas ambições. O altruísmo é uma característica muito forte da personalidade da autora.
Assim, a publicação desse livro quebra em definitivo esse jejum que impedia que a autora pudesse ser apreciada por um número maior de leitores.
Em termos de estilo, a poesia de Miriam Virgil incorpora características modernas: métrica irregular, ritmo variado, rimas apenas quando existe a necessidade de ênfase, verso livre. O ritmo, muitas vezes, é ditado pela emoção, pela repetição de termos complementares. O tamanho dos versos é influenciado pelo conteúdo e pelas pausas na respiração. O primeiro poema,
A Magia do Estaleiro, tem versos que fazem lembrar Walt Whitman, pela sua naturalidade e pela semelhança com a prosa. Em geral, cada verso encapsula uma ideia isolável dos versos anteriores ou posteriores.
Quanto ao conteúdo,
Momentos de Encanto trata, em linhas gerais, do eu, do amor e da emoção. Esses temas recorrentes são quase sempre acompanhados de imagens e agentes da natureza: o céu, o sol, a lua, o mar, a noite, as ondas, o vento, a chuva, o jardim, o silêncio. São poemas de inquietação, de alguma melancolia, muitas vezes nostálgicos, que podem revelar insatisfação e uma sensação de perda que nem sempre está muito nítida no texto, mas que é perceptível nas entrelinhas. Contudo, isso nem sempre é verdadeiro, pois a vida trouxe ou traz oportunidades belas, sublimes. Dessa forma, alegria e tristeza se fundem em um hino às vicissitudes e experiências acumuladas.
Por fim, era um grande sonho da autora ter um livro publicado; aqui está ele. Que não venha só, como os grãos de areia da praia, como as gotas de água do mar.



Muerte de Sevilla en Madrid
Alfredo Bryce Echenique, espanhol, 1994

É a história de Sevilla, sujeito esquisito, ligado ternamente à memória de um colega morto, Salvador Escalante. Salvador era o querido das mulheres e o mais rico entre os estudantes; Sevilla era feio e pobre. Há uma obsessão em Sevilla de encontrar a mulher perfeita para Salvador, uma tranposição do seu próprio desejo, que é reprimido em razão da sua pobreza, da feiúra e da religiosidade extrema, incutida por suas zelosas tias.
Sevilla tem uma ligação muito forte com Salvador, sob a forma de uma admiração extremada pela sua pessoa, repercutida na memória e que culmina com a lembrança de momentos corriqueiros (mas especiais para Sevilla) de uma visita a Huancayo.
Sevilla viveu sempre solitário, dentro de um mundo criado por ele, em que aceita a sua humilhação resignadamente. Salvador é o seu mestre e conselheiro; apenas junto a ele é que se sente estimado, que não se vê alvo de zombaria. Salvador também é o psicagogo que o recebe quando morre.


Mundo por Terra
Roy Rudnick & Michelle Francine Weiss, português, Edição do Autor, 2011, revisão de Eloi Zanetti

Uma empreitada de volta ao mundo de carro é realmente um façanha. Tantos países! Eu próprio adoraria fazê-la, mas não sei se não precisaria ir a pé mesmo e ter de me sujeitar aos meios de transporte locais.
Apesar de longo, é uma pena que o livro não conte detalhes, dedicando umas poucas páginas a cada país visitado. Certamente viram coisas únicas, peculiares, mas muito pouco é trazido no livro. Talvez devessem ter escrito mais volumes, ao invés de um único, muito genérico para ser intensamente saboreado.
A revisão deixou um pouco a desejar.


New Moon
Stephenie Meyer, inglês, 2007, Atom

Já havia comentado sobre o livro Crepúsculo que não sabia exatamente por que um livro sobre vampiros (e agora lobisomens) fazia tanto sucesso. Continuo sem saber exatamente. É possível que seja o intenso discurso em primeira pessoa. Ou o jeito atrapalhado da heroína. Ou os vampiros com boa pinta, bons mocinhos, que não tomam sangue humano.
Mas acho que é a perspectiva de sair da monotonia, da vidinha vazia, em que a falta de tempo, de dinheiro e de juventude impõem as suas restrições ao futuro, que torna a leitura tão prazerosa.


Noche Terrible
Roberto Arlt, espanhol, 1995

O conto trata de um homem, Ricardo Stepens, que está prestes a se casar e que passa uma noite terrível, pesando os prós e os contras da união. Para uma caráter fraco e medroso como o seu, apenas uma solução existe: a fuga covarde.
Os comentários sobre a sociedade argentina são realmente primorosos (e ferinos).


Nos Passos de um Peregrino
José Caliman Neto, português, 2004

Este livro é mais prático que "O Diário de um Mago" de Paulo Coelho; há menos digressões. A sua divisão em dias e lugares permite que o futuro peregrino possa ter o livro como base para o Caminho de Santiago de Compostela.
Em verdade, o livro não foca o trajeto, mas as hospedagens, os encontros e os pontos de encontro. Vale lembrar que não é um diário espiritual.
É um livro simples. Há muitas lacunas, claro, dado a sua curta extensão. O caminho parece servir como um teste de paciência, resignação e solidariedade.


Nosso Iceberg Está Derretendo
John Kotter e Holger Rathgeber, português, Best Seller, 2006

Livro bastante simples sobre identificação e condução de mudanças na forma de uma fábula. As persosagens caem em categorias claras. Um ponto que me fez rir foi a forma como NoNo, o líder negativo, foi neutralizado pelo tedioso Professor.


Nosso Lar
Francisco Cândico Xavier, português, 1997

Apesar de eu crer que Chico Xavier fosse uma pessoa especial, que realmente tivesse uma visão além do alcance do intelecto normal, não consigo conceber uma cidade pós-morte, onde tudo se assemelha muito à vida na Terra. Qual seria a finalidade desse universo paralelo? Como seria complexa a relação entre os que vêm, vão, retornam novamente, indefinidamente?
O texto é escrito em um tom devocional, respeitoso, mas rebuscado, gongórico, artificial.


No Tempo das Tangerinas
Urda Alice Klueger, português

Este livro supera em muito a qualidade da primeira parte da história, contada em Verde Vale. A narrativa apresenta uma profundidade maior, os personagens adquirem uma vida mais próxima da real; não são fatos, mas ações que configuram o desenrolar da história. Continua sendo um livro otimista, mas não tanto. Uma série de problemas sociais é explicitada ao longo da narrativa, em conjunto com a Segunda Guerra Mundial.


O Amante de Lady Chatterley
D. H. Lawrence, português, Martin Claret, 2006

É realmente possível entender por que este livro foi proibido quando da sua publicação, em 1928. Apesar de as obras de D. H. Lawrence sempre focarem o sexo, esta entra em detalhes muito íntimos, bastante ousados para a época.
O autor sempre me pareceu uma pessoa atormentada, que se procura auto-afirmar por meio da reverência a um tipo de culto fálico. Não que ele esteja errado. A nossa sociedade tanto se esqueceu das características básicas da humanidade - o contato físico -, que tudo à nossa volta não são senão miragens criadas pelo intelecto.
No entanto, essa obra tem mas características de manifesto do que preocupações com o estilo literário.


O Ano da Leitura Mágica
Nina Sankovitch, português, Leya, 2011, tradução de Paulo Polzonoff

Não é um livro sobre livros, propriamente, mas sobre o papel terapêutico deles. Após a morte da irmã, a autora decide ler um livro por dia, durante um ano, como forma de apegar-se ainda mais à sua paixão pelos livros, compartilhada também com a irmã falecida, e como catarse para a sua tristeza.
Ressalto que ela não fala sobre todos os livros que leu. O livro chega a ser um pouco repetitivo, monótono.


O Ateneu
Raul Pompéia, português, 1888

É um livro que jamais consideraria representante do impressionismo. O que há nele, na verdade, é uma profunda adjetivação - que, ao meu ver, por ser artificial ao extremo, não sugere nada ao leitor. A história está permeada de situações eróticas que não são explicitadas por evocarem o homossexualismo.
Não há uma narrativa, precisamente; fatos isolados são agrupados à maneira de quem escreve as suas memórias.


O Caminho: Uma Jornada do Espírito
Shirley MacLaine, português, Sextante, Rio de Janeiro, 2000, tradução de Renata Catanhede Amarante

Estou começando a ficar receoso da leitura de livros sobre o Caminho de Santiago de Compostela. Cada um que leio, ou é extremamente monótono, ou bizarro. O de Shirley MacLaine entra na lista dos bizarros. Começa já com o assédio irritante dos jornalistas. Depois, os sonhos-visão com John, um espírito de tempos remotos, na forma de um guia, um mentor. É realmente difícil acreditar na história toda, sobre Atlântida e todo o resto; mas o Caminho deve produzir algum tipo de impressão/exaustão que causa uma experiência "mística" (como ocorreu com Paulo Coelho também). E, por fim, toda a aura sexual que volta e meia é lembrada no texto.
Para quem quer entender/conhecer o Caminho, talvez este não seja o livro adequado.


O Demônio e a Srta. Prym
Paulo Coelho, português, 2000

É a velhíssima história do demônio que tenta os homens para provar a condição inferior do ser humano. Não posso ir contra essa assertiva, porque o medo nos fez tomar atitudes ignóbeis no passado.
Mas o próprio livro demonstra o contrário, na capacidade de discernirmos o bem do mal. Somos capazes da redenção, apesar de isso requerer fortaleza e resistência à tentação e à cobiça.
É um livro com boa estrutura, mas com um estilo simplório.


O Dossiê Iscariotes: entrevista com Deus
Marcos Losekann, português, Planeta, 2006

É o segundo livro que leio de Marcos Losekann, motivado pela qualidade do primeiro. Este, em específico, é ficção, mas a ficção se mistura à realidade brasileira, e é difícil definir os limites entre ambas. É uma história boa, instigante, interessante, e louvo a construção da trama.
No meu ponto de vista, o livro poderia ser mais longo e um pouco mais detalhado, descritivo. As ações, em alguns pontos, são muito rápidas, comprometendo o suspense. Da mesma forma, os diálogos, apesar de verossimilhantes, acabam ceifando a atmosfera. O melhor diálogo é o entre AGV e os assassinos de Chico Mendes, Darci e Darli.
O que me deixou extremamente decepcionado foi a qualidade da revisão de Beatriz de Freitas Moreira, que põe em risco até a própria editora Planeta. Existem erros ortográficos que se perpetuam ao longo do livro, como o "to" sem acento, em lugar do "tô", monossílabo tônico que significa "estou".


O Espantalho e seu Criado
Philip Pullman, português, tradução de Daniel Estill, Objetiva, 2009

O livro lembrou-me Jonathan Swift, além de, obviamente, O Mágico de Oz e Dom Quixote de la Mancha. É irônico, satírico e sarcástico. É possível que as alusões mais sutis se tenham perdido na tradução do inglês.
Sob hipótese alguma, é um livro para crianças. É um livro para adultos, porque trata da estupidez da política militarista, dos problemas ambientais, do analfabetismo, da corrupção, da perversidade humana, entre outros vícios morais infelizmente inerentes às sociedades de qualquer época.


O Extraordinário Poder da Intenção
Esther & Jerry Hicks, português, tradução de Sonia Schwarts, Sextante, 2008

O propósito do livro é ser objetivo o suficiente, para que as pessoas sejam capazes de mudar o seu pensamento e, conseqüentemente, as suas vidas, alcançando os seus objetivos. Ele beira o técnico; por isso, é preciso lê-lo com calma.
Deixando-se de lado a entidade coletiva chamada "Abraham", tenho convicção de que tudo o que o livro diz é verdadeiro.
Segue a onda de "O Segredo", mas, também, o antecede, pois Esther Hicks participou do filme. É interessante observar que o entusiasmo de Esther me havia cativado no filme; e, agora, o seu livro pára em minhas mãos na forma de um presente.


O Fio da Navalha
W. Somerset Maugham, português

É um livro simples, que enfoca tanto aspectos corriqueiros quanto pontos filosóficos, sem entrar em maiores detalhes. Baseado em fatos reais, a história se desenvolve à volta de Larry, cuja trajetória de vida não se adequava aos padrões progressistas americanos, ao trabalho e ao dinheiro. Aliás, a preocupação com o dinheiro é central - mestre da superficialidade e da ostentação.
A beleza do livro está em saber que todos temos nossos desejos e ambições, diferentes e únicos, e que buscamos o sucesso.
O livro chega a ser tocante em determinados momentos, quando se tem vontade de manter um contato mais profundo com o autor, que, infelizmente, não faz mais parte deste mundo.


O Hobbit
J. R. R. Tolkien, português, São Paulo, Martins Fontes, 2009

Quem leu antes O Silmarillion certamente se espantará com o estilo deste livro. É uma leitura muito mais agradável, mais suave, levemente irônica, com humor britânico.
A descrição dos lugares é muito boa e convincente.


O Homem-concha: A Casa do Penhasco
Johnny Virgil, português, Blumenau, Ed. do Autor, 2011

O homem-concha é um misto de romance, fábula, literatura infanto-juvenil... ou seja, uma obra que perpassa vários gêneros, carecendo de uma definição exata, pois permite diversas leituras.
A casa do penhasco é o primeiro volume de uma saga que totalizará quatro volumes.
A casa do penhasco inicia com o nascimento do homem-concha em uma praia, numa noite de tormenta. De forma paradoxal, ele nasce adulto, com uma enorme concha colada às suas costas. Durante vários meses, ele consegue esconder-se das pessoas que frequentam o local, até ser encontrado por um velho, que o leva para viver em sua companhia, numa casa amarela no topo de um penhasco - a casa do penhasco.
A primeira metade do livro é um tanto descritiva. Existe a necessidade de expor as características do homem-concha: os seus hábitos alimentares inusitados (muito picantes), o seu jeito único de falar (sem conjugar verbos, por exemplo), a sua pureza latente. O homem-concha sintetiza aquelas pessoas que não foram marcadas pela maldade do mundo, apesar de terem de conviver com ela.
O homem-concha também tem o seu lado divertido. Vive fazendo das suas estripulias, especialmente em ocasiões em que a filha do velho aparece para uma visita. O velho não quer que o homem-concha se deixe ver pela sua filha, pois não sabe como ela poderia reagir perante uma aberração com uma concha nas costas, o que promove situações engraçadas.
Em suma, várias peripécias ocorrem até o desfecho do volume, alegres e tristes.
O livro trabalha principalmente o preconceito contra o que é diferente. Além disso, trata da redoma de vidro que se cria à volta daqueles que se ama, para que não sofram, quando se sabe que poderão ser alvo da maldade humana mais irracional.


O Jardineiro do Amor
Rabindranath Tagore, português, 1983

Não sei se o chamo poeta ou sábio. A singeleza dos seus versos, por meras descrições que sejam, evocam o caráter sublime do amor - do amor que atravessou as nuvens e agora ilumina o jardim terrestre. Os seus versos são claros, puros e sensuais simultaneamente.
Talvez por ser indiano, a sua obra seja pouco conhecida no Brasil. Uma lástima. Mas, nas palavras dele,

Abre tua porta, a do coração, e olha lá fora.
(Tagore)



O Jogo do Anjo
Carlos Ruiz Zafón, português, 2008, Objetiva

O livro compartilha lugares de Barcelona com A Sombra do Vento, do mesmo autor, e o antecede temporalmente.
É um livro emocionante, ao estilo de Agatha Christie. É difícil parar de lê-lo. No entanto, por ser uma narração em primeira pessoa, o fim é limitado pela interpretação pessoal da personagem.
Por um lado, o protagonista lembra Fausto, que se vende ao Diabo; por outro, ele é acometido de uma loucura beirando a esquizofrenia, a dupla personalidade. Definir, ao certo, a interpretação ideal parece ser mais um julgamento do leitor do que propriamente uma determinação do autor.


O Jovem Törless
Robert Musil, português

É um livro sobre a adolescência, sobre a descoberta da sensualidade e da sexualidade. Nessa fase, as coisas deixam de ser encaradas como meros objetos, que podem ser construídos ou destruídos a bel-prazer.
O livro traz uma mistura de poder e sonho, de sexualidade e sensibilidade, de amor e nojo. A proximidade dessas idéias, contudo, existe na adolescência como fruto da ingenuidade; somente na fase adulta se transforma em devassidão.
Na minha opinião, a obra não é precursora do nazismo. Que muitas das características dela - sublimadas, exageradas e arrogantes - apareçam nesse movimento é aceitável. Mas esse processo de maturação é universal.


O Livreiro de Cabul
Åsne Seierstad, português

Apesar de bem escrito, considerei o livro ofensivo, primeiramente por ter um conceito dúbio e falso sobre o que é, realmente, considerado anonimato. É uma pena que o livro, mesmo oferecendo uma luz para o entendimento da realidade afegã, tenha descaído para o que eu teria como uma afronta pessoal, principalmente em se tratando de uma convidada que humilha e critica tão aberta e publicamente aquele que a recolheu em seu lar por vários meses. No mínimo, a autora deveria ter tido maior tato ao revelar, ou inventar, fatos que pudessem ser imputados a pessoas facilmente identificáveis no Afeganistão.


O Mensageiro da Concha
Chitra Banerjee Divakaruni (site oficial), português, tradução de Maria Alice Máximo, Objetiva, 2004

Os livros que fazem parte dos momentos mais concretos de nossa vida são poucos, e esses poucos livros podem ser divididos em maravilhosos e mágicos.
Os maravilhosos são aqueles que nos fazem refletir e mudar algo em nós; os mágicos são os livros maravilhosos que nunca poderão ser esquecidos e que alteram a nossa percepção sobre a vida por completo.
"O Mensageiro da Concha" se encontra, no meu caso, na classe dos mágicos, dentre os três mais importantes. Veja-se abaixo:
1º "O Menino do Dedo Verde", de Maurice Druon;
2º "O Mensageiro da Concha", de Chitra Banerjee Divakaruni;
3º "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry.
Acho que não preciso dizer mais nada.


O Monge e o Executivo
James C. Hunter, português, 2004

É um livro bom, que mistura os aspectos profissionais da liderança com valores filosóficos e religiosos.
O mérito do livro não é desenvolver as idéias, que existem há muito tempo, mas torná-las públicas, facilmente inteligíveis.
Eu resumiria o livro dizendo que o amor como comportamento é o que se propõe aos líderes carismáticos, que se imbuem de autoridade em vez de poder.
Em verdade, é possível notar o que Simone de Beauvoir já reconhecia no livro "Les Belles Images": que a única revolução necessária ao homem de hoje é a revolução moral.


One Amazing Thing
Chitra Banerjee Divakaruni, inglês, 2010, Hyperion

Apesar das múltiplas histórias de vida contadas serem bonitas e tocantes, o livro termina de uma forma tão abrupta, que o leitor fica desconcertado. As micro-histórias já apresentavam recortes um tanto toscos, mas o final do livro fez com que eu me questionasse se não faltavam páginas.
De todos os livros que li de Divakaruni é o que eu não aconselharia ninguém a ler, pelo menos de início. Ele põe em xeque inclusive a opinião de alguns renomados que elogiam a obra na contracapa: Jhumpa Lahiri, Ha Jin, Abraham Verghese...


Onze Minutos
Paulo Coelho, português, 2003

Os escritores, quando alcançam uma certa notoriedade, tomam certas liberdades questionáveis em relação ao leitor. "Onze Minutos", ao abordar a prostituição, foi adorável e insensato ao mesmo tempo: o grande detalhismo genital não acrescentou nada à narrativa romântica, que é, por si só, semelhante ao conto de Cinderela. Duvido que os leitores escolham a ficção buscando encontrar nela um tratado anatômico.
A beleza do sexo está em nós mesmos, em nossa capacidade de resolver nossos problemas sentimentais. Eu diria, pessoalmente, que temos obliterado tanto partes do corpo quanto da alma. Por medo, aceitamos uma vida vazia e medíocre, quando abraçamos a rotina do trabalho, da família e da diversão, quando acordamos às 7 da manhã, dormimos às 11 da noite e nos achamos felizes! Ah! como é difícil desejar uma vida não planejada - e surpreendente!
Em suma, é um livro bem escrito. Mas não pode ser dado como presente a qualquer um. No fundo, é um livro para velhos.


O Pacto
Jodi Picoult, português, 2007, The Pact

Fui enganado pela contracapa. Não é um livro que marca a vida de alguém, apesar de a história não ser típica.
Há um quê indefinível de artificialidade. O texto parece que interrompe o pensamento, fazendo com que você tenha de voltar atrás e descobrir sobre que está sendo falado. Os diálogos são ruins, sem densidade.
A tradução também não é boa: eu não diria que incluir travessões para o discurso direto dentro de parágrafos seja a norma para a língua portuguesa.
Talvez a única parte que se salve do livro sejam as argumentações durante o julgamento.


O Pálido Olho Azul
Louis Bayard, português, 2007, The Pale Blue Eye, Planeta, tradução de Lea P. Zylberlicht

É uma história lenta e depressiva de um mocinho que é bandido. Falta um pouco de suspense; no final do livro, até se entende por quê.


O Pássaro Azul
Maurice Maeterlinck, português

Esta peça de teatro pode ser lida repetidamente, que nunca perderá a sua beleza original.
Todos buscamos o pássaro azul de nossas vidas. Mitil ou Tiltil, vemos no pássaro a realização de nossos desejos. O meio para alcançar nossos objetivos está sempre ao nosso lado, oculto por nossa ignorância e distante de nós em razão do nosso egoísmo.
Uma das partes mais belas da peça é, na minha opinião, quando Mitil e Tiltil visitam um cemitério, na intenção de verificar se o pássaro azul esteve lá. Para surpresa de ambos, descobrem que não há mortos, que a morte não existe.


Os 5 Desafios das Equipes: uma fábula sobre liderança
Patrick Lencioni, português, tradução de Márcia Nascentes, Rio de Janeiro, Elsevier, 2009

A ideia de que a base dos problemas das equipes é a falta de confiança é verídica. Apenas discordo da representação das disfunções como uma pirâmide; um fluxo seria mais adequado.


Os Conquistadores
Júlio Verne, português, tradução de Antonio Carlos Viana, Porto Alegre, L&PM, 2005

É um relato das conquistas de Hernán Cortez e Francisco Pizarro na América. Sem dúvida, ambos eram loucos, frios e gananciosos. Fizeram tudo pelo ouro, pela prata e pelas pedras preciosas, figurando na história mais por sua perfídia do que por qualquer outro feito. Aliás, ambos foram mestres em termos de dissimulação: Cortez enganando Montezuma; Pizarro, Atahualpa.
A bem da verdade, mesmo com armas de fogo e os cavalos, astecas e incas tinham a possibilidade de acabar com o mísero exército espanhol desde o princípio. Não o fizeram por corrupção interna, fraqueza e superstição, como lembrou Verne.


O Segredo da Montanha
Maicon Tenfen, português, Blumenau, Hemisfério Sul, 1998

Levei bastante tempo para ler o primeiro livro de Maicon Tenfen. Sinceramente, não sei por quê. Havia os que falavam bem; outros falavam mal. Não gosto de emitir uma opinião sem ler a obra do autor, mas nunca havia ficado cara a cara com uma até agora.
É uma leitura interessante e envolvente, não há como negar. Todavia, ela carece de profundidade e, por conta disso, de verossimilhança (as fantasias também têm uma verossimilhança construída). Se compararmos esse livro com outro mesma de natureza, como The Riddle Of The Sands, a diferença se torna gritante.
Todavia, essa diferença se justifica por uma constatação assaz intrigante. Passei mais tempo refletindo sobre como classificar a obra do que propriamente com a sua leitura. Primeiro tentei enquadrá-lo como romance: não há profundidade, não há personagens, pouca psicologia. Depois, como uma novela: as células dramáticas não são propriamente desenvolvidas. Por fim, como um conto: não é uma obra "concentrada".
Após isso, cheguei a uma conclusão bastante satisfatória: é uma história em quadrinhos. É um texto com possibilidades pictórias, existe muito diálogo, mistura a realidade com a fantasia, tem uma extensão plausível. Mentalmente, transfigurei o livro em uma história em quadrinhos, e o resultado me pareceu excelente. Sugeriria ao autor pensar nessa possibilidade.
Encontrei um erro de ortografia nas falas em alemão.


O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel
J. R. R. Tolkien, português, São Paulo, Martins Fontes, 2009, tradução de Lenita Maria Rímoli Esteves e Almiro Pisetta

O Hobbit já me havia surpreendido positivamente. Este livro chega a ser melhor que aquele.
A narração é boa; a descrição do ambiente é fantástica. Senti-me muitas vezes com frio, molhado, sonolento, admirado com as paisagens, belas ou desoladas. Foi um prazer ter sido transportado para o mundo fantástico da Terra Média.
Eu apenas tiraria fora as canções, quase ininteligíveis. Mas é possível que seja a tradução, pois não tive acesso ao idioma original.
O livro também me fez entender aspectos do filme que não me tinham ficado claros.


O Senhor dos Anéis: As Duas Torres
J. R. R. Tolkien, português, São Paulo, Martins Fontes, 2009, tradução de Lenita Maria Rímoli Esteves e Almiro Pisetta

A história continua de forma interessante, dividida em duas partes. A primeira inclui Pippin, Merry, Legolas, Gimli, Aragorn e Gandalf. A segunda, Gollum/Sméagol, Frodo e Sam.
Apesar de a primeira parte ser bem escrita, ter muitos detalhes, não ser monótona, a segunda certamente é mais intensa e cativante. A relação de quase servitude de Sam para com Frodo, a astúcia e o jeito peculiar de comunicar-se de Sméagol, o negro, o frio, a fome, tudo isso envolve o leitor.
Sem dúvida, para culminar com suspense, o volume termina com Frodo semimorto e Sam desmaiado.


Os Fios da Fortuna
Anita Amirrezvani, português, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2007, tradução de Regina Lyra

Isfahan. Uma das cidades mais belas do mundo. A gigantesca praça Imagem do Mundo, a mesquita Sexta-feira. Os maravilhosos tapetes tecidos a mão. Esse é o pano de fundo da história.
Apesar da beleza, a vida não era fácil para os pobres e as mulheres. Ser uma mulher independente era algo quase impensável.
É um livro bem-escrito, bonito, com algumas passagens muito tocantes. A quase morte da mãe é uma delas.


O Silmarillion
J. R. R. Tolkien, português, São Paulo, Martins Fontes, 2009

Uma leitura das mais secas, áridas.
O início tem um estilo bíblico e conta a criação do mundo. É um texto belo e original, apoiando-se na música como elemento criador. De certa forma, a música é a consciência.
Há muitos relatos, uns mais interessantes que outros. É difícil decorar tantos nomes e lugares, principalmente quando têm denominações várias. No geral, os seres, mesmo os imortais, têm ações e emoções tipicamente humanas.


Os Marinheiros Perdidos
Jean-Claude Izzo, português, tradução de Vera Gertel, Rio de Janeiro, Record, 2001

Uma versão masculina para a (in)felicidade. É uma visita ao passado, a partir das frustrações do presente, e uma reconfiguração do futuro.
A tragédia iminente serve como uma catarse para as personagens. Uma expiação dos seus pecados, principalmente em função do não-dito, do não-feito, do medo ou da covardia que engendraram a insatisfação.
É, também, uma história de amor.


Os Segredos da Mente Milionária: aprenda a enriquecer mudando seus conceitos sobre o dinheiro e adotando os hábitos das pessoas bem-sucedidas
T. Harv Eker, português, tradução de Pedro Jorgensen Junior, Rio de Janeiro, Sextante, 2010

Apesar de eu ter lido o livro com vagar ao longo de alguns meses, consegui perceber que algumas técnicas que utilizo ficaram convalidadas por ele. Aprendi outras também, que estou colocando em prática e já começam a fazer algum efeito. Não é um livro de que se aproveita 100%, mas serve para instigar e conduzir a mudanças de postura frente ao dinheiro. A parte mais difícil neste aprendizado é livrar-se da programação mental anterior orientada ao insucesso.


O Totem do Lobo
Jiang Rong, português, tradução de Vera Ribeiro, Rio de Janeiro, Sextante, 2008

Não é um livro dos mais envolventes, apesar de exótico. Existe nele um leve traço didático.
A história do povo mongol, a destruição das estepes da Mongólia Interior na China, a aniquilação dos lobos, é tudo muito triste e exprime a mesma revolta que sinto pela destruição da Floresta Amazônica aqui no Brasil.
Domar é um lobo é como enjaular a liberdade.


O Traidor de Belém
Matt Beynon Rees, português, 2007

Este livro de suspense faz você entrar no universo e na complexidade dos confrontos em Israel. Muçulmanos, cristãos, judeus em uma Palestina assolada por rivalidades de uma complexidade muito grande.
A revisão de Tulio Kawata é ruim. Já na terceira linha do texto temos um erro de português.


O Triste Fim de Policarpo Quaresma
Lima Barreto, português, 2002

Quaresma é um visionário apaixonado pelo Brasil, o qual considera superior nos mais diversos aspectos. Vive uma vida simples e regrada, voltada única e exclusivamente ao entendimento das coisas brasileiras.
A sua desgraça tem início quando envia um pedido ao Governo para a implantação do tupi como língua nacional. Após exposto ao ridículo, quase enlouquece. Após a mal sucedida tentativa patriótica, muda-se para o campo, onde conhece as agruras do cultivo da terra.
Por ocasião da Revolta da Armada, volta ao Rio de Janeiro para prestar seus préstimos a Floriano Peixoto, engajando-se na luta. O seu triste fim é a morte após a manifestação da sua insatisfação frente à execução dos soldados presos durante o levante.
Quaresma é o Dom Quixote nacional. Em um mundo de sonhos e maravilhas, não vê a mesquinharia dos corruptos, dos egocêntricos, dos interesseiros; não vê o lado horrendo do Brasil. Quando realmente vê toda a podridão e a injustiça, revolta-se contra ela, mas a sua moralidade nada pode contra a imoralidade reinante. É triste ver o sonho desmanchar-se.


Out Stealing Horses
Per Petterson, inglês, 2005, Picador, translated by Anne Born

A Noruega deve realmente possuir paisagens belíssimas, se as palavras de Per Petterson forem verdadeiras.
É uma história muito bem tecida, humana como poucas. Os sentimentos, as dúvidas, a incerteza, as interpretações dúbias, os desejos, a ausência de informação, tudo que torna a experiência humana fragmentada está muito bem tratado no livro.
É uma pena que não tenha sido mais longo.


O Vampiro de Curitiba
Dalton Trevisan, português

O livro apresenta variações sobre um único tema: os casos amorosos de Nelson (e sua aceitação por todos os tipos de mulher). O texto economiza no uso de períodos completos, predominando, então, frases quebradas, de gosto e compreensão duvidosa. A técnica de contraponto utilizada em "Debaixo da Ponte Preta" é marcante.


Parque dos Cervos
Norman Mailer, português, 2001, Record, tradução de Alves Calado

Uma obra inquietante. De certa forma, desconexa e sem um propósito claro.
Talvez o objetivo mais evidente fosse tratar de sexo. Mas não; o livro não trata de sexo. Trata do vazio, de um vazio existencial, existencialista.
O narrador O'Shaugnessy lembra o Caulfield de J. D. Salinger.
A tradução de Alves Calado é sofrível.


Paulo e Estêvão
Franciso Cândido Xavier, português, 2003, Federação Espírita Brasileira

A história é bonita, triste mas edificante. O vocabulário é o tradicional, rebuscado, de Chico Xavier. É um romance de fatos e sentimentos,com poucos indícios que permitam uma caracterização histórica dos ambientes. Ressalte-se a mobilidade lingüística das personagens.


Poemas Místicos
Jalal ud-Din Rumi, português, 1996

Poeta persa dos mais refinados, seus poemas são de uma beleza inacreditável e de uma profundidade assustadora. As idéias sufistas estão entremeadas no texto, contudo o tesouro está à vista, não é preciso ir tão ao fundo, quando na superfície bóiam frases divinas.
Alguns desses poemas são como ímãs que nos perseguem, que nos subjugam, que nos fazem refletir sobre o que insistimos em esquecer:


A cada instante a voz do amor nos circunda
e partimos em direção ao céu profundo;
por que deter-se a olhar ao redor?
(Rumi)



Pompeya Reconstruida
Maria Antonietta Lozzi Bonaventura, espanhol, Archeolibri

Graças ao destino trágico de Pompeia, temos hoje acesso a um conjunto arquitetônico e artístico da época romana muito bem preservado. Os afrescos são de uma grande beleza, como os da Vila dos Mistérios e as de Hércules no Colégio. A vida pompeiana como um todo foi preservada sob as cinzas do Vesúvio: a casa, os banhos, a vida social, o teatro, o comércio, a prostituição, a religião...
O livro é composto de páginas sobrepostas: a primeira é vazada e exibe uma imagem de como teria sido o local; a segunda é uma fotografia da situação atual das ruínas. Assim, ambas se combinam para compor o cenário da época da destruição da cidade.


Prisioneira em Teerã: memórias
Marina Nemat, português, 2007, Planeta, tradução de Cecília Gouvêa Dourado

O leitor quase se esquece de que não se trata de um relato biográfico, tal é o acúmulo de incidentes trágicos. É singelo, comedido, ponderado. Interessante, enfim.
A convivência com a violência e a morte é algo que não está tão distante temporal e geograficamente de nós.


Quase Memória
Carlos Heitor Cony, português, 2003

O livro demonstra o amor velado e a admiração do filho pelo pai. Através de uma série de relatos, ligados pela chegada de um misterioso pacote, o autor relembra as peripécias do pai, já falecido, de uma maneira exagerada e fantasiosa. Em verdade, é difícil definir onde termina a realidade e começa a ficção.
Apesar do tom jocoso e irônico, o livro é cansativo. E o fim, apesar de poético e bonito, decepciona o leitor curioso.


Queen of Dreams
Chitra Banerjee Divakaruni, inglês, 2004

Talvez este seja o livro mais confuso dentre os que já li da autora. Existem várias questões interessantes sendo abordadas, mas nenhuma delas é suficientemente explorada: as atividades da mãe; a separação de Sonny; a vida do pai; o EMIT MAERD. Falta algo ao livro, ou não é claro. Merece uma segunda leitura.


Robinson Crusoe
Daniel Defoe, português, Martin Claret, 2006

Deveras, é uma história que cativa. A primeira das duas partes é, sem sombra de dúvida, a mais interessante, pois retrata a vida solitária de Robinson Crusoe na sua ilha desabitada.
Creui que a história pode ser vista sob diversas óticas:
a) é um elogio ao engenho humano (ou ao homem europeu, se se analisar bem a questão);
b) valoriza os sentimentos cristãos, revelando intolerância aos credos idólatras;
c) apresenta uma forma de arrogância e superioridade que vai crescendo à medida que progride, por mais que os valores morais estejam presentes (ou à custa deles).
Talvez o que mais choque é o tratamento dado ao selvagem Sexta-feira. Conquanto, ao encontrá-lo, Crusoe pareça eufórico, poucas são as linhas que lhe devota em geral, após sair da ilha, e, principalmente, quando Sexta-feira é morto.


Santiago de Compostela: Os 8 Portais do Caminho
Ricardo Mendes, português, Rio de Janeiro, Axcel Books, 2002

As fotos em preto e branco de Ricardo Mendes não podem ser consideradas primores da técnica. Contudo, retratam aspectos sutis da existência humana. Captam momentos do cotidiano, a expressividade dos objetos, a perplexidade dos animais, a voz mansa das paisagens. Os textos são muito bonitos.


Segurança e Auditoria da Tecnologia da Informação
Cláudia Dias, português, Axcel Books, 2000

Bom livro sobre segurança da informação, abordando aspectos em geral, sem entrar em maiores minúcias. Serve como um apontador dos tópicos envolvidos nas questões de segurança.


Shadowland
Chitra Lekha Banerjee Divakaruni, inglês, Roaring Book Press, 2009

Não tão memorável e completo como O Mensageiro da Concha, este livro aborda o futuro e a destruição do meio ambiente, numa guerra entre mágica e ciência. É possível sentir o ar impuro de Coal (carvão, em inglês, a nova Kolkata) durante a leitura.


Shirley
Charlotte Brontë, inglês, Penguin, 1994

É uma história de cunho social? Não, eu não diria isso. Diria que ela está centrada nas duas jovens entidades femininas, Shirley e Caroline Helstone. Talvez até penda mais para a segunda. A obra focaliza as preocupações amorosas de ambas, assim como as de suas partes contrárias (os irmãos Moore), mas com menos vigor.
As revoltas operárias não são senão um pano de fundo para a narrativa. O tema central do livro é o casamento, enfocando principalmente a relação dele com a ambição e o dinheiro.


Sister Of My Heart
Chitra Banerjee Divakaruni, inglês, Anchor Books, 2000

Cada vez fico mais surpreendido com a beleza das histórias de Divakaruni. Não é apenas porque o tema deste livro é exótico, porque a realidade indiana é desconhecida de mim, um brasileiro. O livro tem aquela força narrativa característica das fábulas e a emoção das novelas do Romantismo. A estrutura é perfeita. Os fatos vão-se revelando como em um romance policial. E o fim é aberto.
Impossível não se apaixonar por Sudha.


Sons and Lovers
D. H. Lawrence, inglês

D. H. Lawrence parece que nasceu com a capacidade de representar primorosamente os relacionamentos e os seus aspectos conflitantes. É uma obra de beleza sublime, talvez algo triste, mas que permite uma incursão na natureza incerta do ser humano.


Sorcerer's Apprentice: an incredible journey into the world of India's godmen
Tahir Shah, inglês, Arcade, 2011

Este livro foi a melhor leitura de 2011. Um relato de viagem que, de tão absurdo, beira as raias da ficção.
Naturalmente, Shah só poderia entender o poder do ilusionismo na Índia, essa terra em que o embuste adquire a santidade aos olhos dos crédulos. Ele conta com detalhes primorosos os terrores infligidos pelo seu professor sádico e onipresente, a vida dos puxadores de riquixás, a venda de esqueletos humanos gerados a partir de banhos de ácido em corpos roubados dos cemitérios, os segredos do guru santo e admirado até por ocidentais, a indústria de perucas - enfim, uma lista de lugares, pessoas e situações inusitadas dedicados ao ilusionismo, a maioria das vezes com o propósito de enganar e obter dinheiro.
De início, você acha impossível que o autor pudesse ter vivido uma série tão absurda de experiências em tão pouco tempo. Só ao final é que se percebe que ele estava sendo "conduzido".
Um livro imperdível, enfim.


The Art of War
Sun Tzu, inglês

De certa forma, o livro é um pouco repetitivo e por demais conciso. Mas há diversas idéias que podem ser utilizadas no dia-a-dia, sem que haja uma guerra envolvida, principalmente no que tange ao planejamento e à maneira de agir.
Faça download da versão lida aqui.


The Aviary
Kathleen O'Dell, inglês, Alfred A. Knopf, New York, 2011

Apesar de a história ser previsível, é cativante. Talvez o final pudesse ter sido mais bem trabalhado, ser mais lento, menos direto ao ponto.
Às vezes, tinha a impressão de estar na Inglaterra, de estar lendo "O Jardim Secreto".


The Battle of the Labyrinth: Percy Jackson & The Olympians: Book Four
Rick Riordan, inglês, 2009, Disney Hyperion, New York

O mais interessante livro da saga até o momento. Realmente, o Labirinto do Rei Minos sempre me fascionou, desde a infância. Apesar de a história aparecer modificada, ainda mantém o seu charme.
A parte com Calipso realmente é entristecedora.
Poseidon também aparenta ser mais humano, mais mortal.
É conveniente observar que o humor e a ironia presentes em todos os volumes, revelam-se, no final, banais e dispensáveis, em função do extremo excesso. Com o tempo, o leitor pula essas partes que não agregam nenhuma beleza à história.


The Disintegration Machine
Sir Arthur Conan Doyle, inglês, 1995

O conto é curto. A história é realmente interessante: quem não gostaria de saber qual é a segredo que há por trás da desintegração molecular?
Mas o texto não busca ser descritivo ou, mesmo, científico; ele é moral. Ou seja, a história não se preocupa em explicar o processo de desintegração, mas em dizer que as novas descobertas não devem ser utilizadas para maus propósitos. Se não é possível evitar que caiam nas mãos erradas, é salutar que sejam eliminadas.


The Fortunes and Misfortunes of the Famous Moll Flanders
Daniel Defoe, inglês, Wordsworth Editions, 1993

É uma novela cativante. O inglês antigo, de períodos longos, de grafia incerta, rebuscado, às vezes cansa; mas é a sinceridade da personagem principal, ao relatar ações baseadas na sua má conduta, que realmente chama a atenção.
Moll Flanders parece simbolizar a falta de moralidade e o valor dúbio das aparências. Ou, então, os infinitos ardis femininos, sempre postos em prática para salvá-la das situações de perigo.
A história não tem uma trama perfeita; às vezes, ocorrem omissões e esquecimentos.


The Girl Who Kicked The Hornet's Nest
Stieg Larsson, inglês, Alfred A. Knopf, 2010, tradução de Reg Keeland

Como o último livro da trilogia (entendendo-se que não haverá continuidade, pois o autor já faleceu), ele fecha um ciclo que desvenda os mistérios da vida de Lisbeth Salander e resolve todos os problemas da personagem.
A legislação sueca e as questões jurídicas são bastante instrutivas sob o ponto de vista do conhecimento geral.
É realmente uma pena saber que a história se acabou assim. Após tantos volumes, fica-se apegado aos personagens. Tive a impressão de que o autor daria sequência.


The Girl Who Played With Fire
Stieg Larsson, inglês, Vintage Crime/Black Lizard, 2010

É um livro brilhante, cheio de detalhes sórdidos, que explica a trajetória infeliz de Lisbeth Salander. Uma séria de homens perversos busca arruinar a vida de Salander: o sádico guardião Bjurman, o desnaturado pai Zalachenko, o pedófilo psiquiatra Teleborian e o inescrupoloso irmão Niedermann.
Lisbeth começa a desenvolver atitudes mais humanas ao auxiliar Palmgren, o ex-guardião enfermo.
O caso com George Bland poderia ter continuidade, suponho. Talvez a morte de Larsson tenha abreviado capítulos futuros dessa história.
O que chama atenção para a obra é o preciosismo técnico e a qualidade do enredo.


The Girl With The Dragon Tattoo
Stieg Larsson, inglês, Vintage Crime/Black Lizard, 2009

Não se pode dizer que seja uma história "inocente". Trata de inúmeras perversões sexuais masculinas, é recheada de crimes. Também fala da Suécia, esse lugar tão pouco exposto na mídia brasileira, do mundo corporativo e das publicações jornalísticas.
É um desses livros que você não consegue parar de ler, porque tem mistério. Mas o que talvez faça a diferença e confira originalidade seja o completo despojamento na exposição dos fatos, a quase total ausência do discurso moralista.


The Land Of Mist
Sir Arthur Conan Doyle, inglês, 1995

É um conto extremamente interessante, porque, ao invés de se voltar à ficção científica, se preocupa com a mediunidade e o espiritualismo. Achei-o bastante proveitoso, principalmente porque me ofereceu uma base maior de conhecimentos sobre o assunto, que domino apenas superficialmente.
A história é mais uma sucessão de relatos do que propriamente motivada por uma seqüência narrativa de ação. Manifesta a apreciação do autor pelo assunto, de maneira a conferir-lhe credibilidade.
A maioria dos leitores acostumados ao estilo empregado em outras obras podem não receber esta muito favoravelmente.


The Last Olympian
Percy Jackson & The Olympians: Book Five, Rick Riordan, inglês, 2011, Disney Hyperion, New York

O melhor dos livros da saga. O mais humano e o mais completo em todos os sentidos.
É interessante observar como a morte é tratada nos livros. Existe uma certa trivialidade no fato de morrer, especialmente por ser um livro para adolescentes. Parece não haver pejo, como se houvesse naturalidade (para mim, até exagerada). Contudo, deixou-me bastante perplexo a morte de Silena Beauregard, fato do qual realmente parecia exalar emoção.
Que Annabeth e Percy iriam ficar juntos no final era o mais lógico; só não pensaria que ele fosse abrir mão da imortalidade por conta disso.
A loucura da mãe de Luke também aparece bem representada.
Só quisera saber, na verdade, que tipo de esperança permanece no jarro de Pandora. A espera pelo bem ou pelo mal? Creio que os estudiosos nunca conseguirão saber ao certo.
Por fim, a saga chega ao seu término. São livros passageiros, isto é, servem como entretenimento, mas não marcam. Em breve, já poderei tê-los esquecido.


The Lightning Thief: Percy Jackson & The Olympians: Book One
Rick Riordan, inglês, 2006, Disney Hyperion, New York

Uma mistura de As Crônicas de Nárnia e Harry Potter, com o humor de Philip Pullman. Diz-se que a história é para jovens leitores, mas o vocabulário é bastante rico e algumas alusões me parecem difíceis de serem compreendidas pela maioria dos adolescentes. Vê-se que há poucas preocupações didáticas.
As células da novela poderiam ter sido mais bem exploradas, pois a ação ocorre de forma muito rápida, o que dá a sensação de inconsistência.


The Lost World
Sir Arthur Conan Doyle, inglês, 1995

É um conto de ficção científica, bem fechado em termos de verossimilhança, que narra a visita a uma região da Amazônia em que se encontram remanescentes dos dinossauros. A história é curta demais para quem gosta de curiosidades envolvendo o conhecimento sobre a era pré-histórica.
Talvez o fato mais interessante do livro seja a luta entre as duas espécies de hominídeos. Sob um certo ponto de vista, o massacre que ocorre nas suas páginas é execrável: afinal, o nosso senso de preservação histórica não permitiria uma atrocidade contra o elo perdido!
Apenas algo a criticar no livro: um certo hispanismo em relação aos nomes.


The Mirror Of Fire And Dreaming
Chitra Banerjee Divakaruni, inglês, 2007

É o segundo volume da trilogia de A Irmandade da Concha. Não é tão maravilhoso quanto O Mensageiro da Concha, mas é bem escrito. Por se ambientar no passado, a história acaba sendo naturalmente fantasiosa. Não que O Mensageiro da Concha não o fosse, mas ele provocava uma impressão diferente, trazia a mágica para o mundo cotidiano.


The Mistress of Spices
Chitra Banerjee Divakaruni, inglês, 1998, Anchor Books

Aqui o talento de Divakaruni ainda não está totalmente desenvolvido. Mas a poesia já está ali no texto, o amor ao fantástico e ao mágico, a simbologia com que os elementos são empregados. É uma daquelas histórias que você talvez esqueça em partes, mas não totalmente.
As serpentes marinhas são um excelente artifício.


The Plumed Serpent
D. H. Lawrence, inglês, 1995

É uma obra inquietante e belíssima. A história é surreal, adentra o mundo mágico da religiosidade, os mistérios de cultos pagãos, da sensualidade e da sexualidade.
É difícil enquadrar a obra em uma categoria definida. É verossimilhante demais para ser tratada como uma fábula. Por outro lado, a fantasia é possível, transforma-se em realidade, fazendo com que o livro pouco se pareça a qualquer romance comum.
Trata da ressureição do culto a Quetzalcoatl, um misto de superioridade masculina e de revolução político-religiosa, no México. A personagem principal, Kate, uma irlandesa individualista, vê-se participante dessa subversão de valores, da suposta volta do povo mexicano à sua essência.
O livro também apresenta uma beleza estilística que beira a poesia. É imperdível.


The Poison Belt
Sir Arthur Conan Doyle, inglês, 1995

É a continuação de The Lost World. Os mesmos personagens estão presentes. É o mesmo tipo de ficção científica.
A história é bem elaborada; o autor sempre procura esclarecer o máximo possível os fatos, a fim de torná-los verossímeis.
Em algumas partes, parece que não há uma continuidade propriamente dita entre The Lost World e The Poison Belt. Deixados de lado, esses pontos pouco interferem no enredo.
O que torna o conto interessante é a mistura de fantástico e científico. E, por que não dizer, do mágico que também existe dentro da própria ciência!


The Riddle Of The Sands
Erskine Childers, inglês, 1993

Este livro é fabuloso. O apego aos detalhes de natureza náutica é surpreendente. Não é difícil entender por que é considerado um ótimo livro de suspense.
A história é simples e envolvente. Os comentários de Carruthers dão um toque de humor à narrativa. O livro inteiro se passa na dúvida, na conjetura, e as peças vão se encaixando aos poucos, às vezes até trocam de posição. É impossível não imergir na fantasia, não acreditar no enigma.


The Sea Of Monsters
Percy Jackson & The Olympians: Book Two, Rick Riordan, inglês, 2008, Disney Hyperion, New York

A ação continua sendo rápida. Às vezes, rápida demais, para quem gsotaria de mais detalhes. Isso também prejudica o suspense.
A grande beleza deste volume é o aparecimento de Tyson, um ciclope bondoso e irmão de Percy.
Não considero a história como sendo para crianças. Há partes bastante "adultas", no mínimo acessíveis a adolescentes.
Gostei da parte em que aparece Circe.


The Sufis
Idries Shah, inglês, 1971, Anchor Books, New York

Sem dúvida, o melhor livro já lido a respeito do assunto. Elucida muitas das conexões dos Sufis com a Igreja Católica, o Budismo Zen, o hinduísmo, os Templários, os maçons, os rosacrucianos, os alquimistas e diversas celebridades, como Miguel de Cervantes e Francisco de Assis.


The Titan's Curse
Percy Jackson & The Olympians: Book Three, Rick Riordan, inglês, 2008, Disney Hyperion, New York

O terceiro volume é, em relação aos anteriores, aquele que considero o mais original. Ele começa no meio da ação, traz elementos inesperados, apresenta a pouco conhecida Thalia e introduz Ártemis, Apolo e Zoé (significando "vida" em grego, mas não me parece que a palavra tenha sido usada com essa intenção).
A irritável Zoé acaba tornando-se uma personagem interessante, a mais adulta do grupo principal, com Percy, Grover, Bianca, Thalia e ela própria. Thalia também se imbui de mais sentimentos, ao ferir Luke.
Existe um acréscimo de maturidade na história, mas alguns acontecimentos ainda foram um pouco exagerados, como a luta contra Atlas.
A ironia ainda corre solta.
Em alguns pontos, a história lembra bastante Harry Potter.


Tragédia no Pólo
Wilbur Cross, português, 2002, Record, Tradução de Ruy Jungmann

Parece incrível que alguém se aventurasse em situações extremas, como as enfrentadas no pólo Ártico, com dirigíveis, enfrentando todo tipo de precariedade.
O mais irritante é o comportamento do governo fascista italiano, que deu mostras de individualismo e intolerância.


Twilight
Stephenie Meyer, inglês, Atom, 2009

É difícil entender o mistério que existe por detrás da atração que este livro proporciona ao leitor. Na superfície, não passaria de uma reles história de amor de adolescente, ou de uma história sobre vampiros.
Há que ressaltar três pontos em que o livro é original: os vampiros são humanos, muito humanos; a história é densa, ocupa grandes períodos de tempo em detalhe; os sentimentos sempre estão à flor da pele, principalmente reforçados pela presença do riso, nas suas várias formas.


Um Grito de Amor do Centro do Mundo
Kyoichi Katayama, português, 2011, Objetiva, Rio de Janeiro, tradução de Lica Hashimoto

Em poucas palavras: uma obra-prima. A maioria dos escritores não consegue captar a alma dos jovens, a aura de idealismo, a indecisão e as decisões, a singeleza. Esse escritores erram ao pôr falas adultas na boca dos jovens; erram ao fazerem livros didáticos, secos e quase isentos de qualquer valor literário.
Mas Katayama cria uma obra perfeita, ao retratar um relacionamento amoroso juvenil nos dias de hoje. Um grande amor não precisa do romantismo para ser construído. Nem precisamos do romantismo para viver a beleza e sofrer pelas perdas que a vida nos oferece.
Apesar de triste, é um livro que me fez recordar de muitas coisas que me pareciam perdidas no fosso da minha história.


Um Milagre em Equilíbrio
Lucía Etxebarria, português, 2006

Duas são as palavras que eu utilizaria para descrevê-lo: original e primorosamente escrito. É um dos primeiros livros que leio que têm a capacidade de retratar o momento atual sem ser piegas, sem demonstrar exagero ou ser deprimente. Há nele uma naturalidade tão grande, que às vezes é difícil ao leitor convencer-se de que é ficção. Altamente recomendável para futuras mães, inclusive.


Una Tarde de Domingo
Roberto Arlt, espanhol, 1995

Um encontro casual entre um homem separado e a esposa de um amigo poderiam levá-los ao adultério, como mentalmente premeditavam. Mas não. Uma conversa realista, sem eufemismos, tem lugar. A conclusão a que o homem chega é que todos os problemas nos relacionamentos se reduzem ao fato de os cônjuges não terem nada de novo a dizer um ao outro, depois de anos de convivência.
Eu concordo. O amor deve ser sempre uma descoberta, e às pessoas cumpre oferecer algo de novo ao relacionamento. Alguns realmente aceitam uma vida estagnante!


Vagabundo en África
Javier Reverte, espanhol, 1998

É um livro interessante, que fornece um versão atualizada da situação política da parte centro-sul da África: da riqueza, da pobreza, do racismo e da guerra. Traz inúmeras informações históricas e referências literárias, que podem tornar a leitura do texto um pouco árida. Por ser detalhista, o livro, às vezes, beira o assustador.


Verde Vale
Urda Alice Klueger, português

Verde Vale é um livro bonito, especialmente para os que nasceram em Blumenau ou conhecem um pouco da sua história. O vocabulário é característico da região, mas não é exaustivo. O livro é interessante, uma vez que é otimista, tão otimista que chega a ser gritante a diferença que existe entre ele e demais obras da literatura. Só me pareceu que, no fim, a história foi sendo abreviada.
Não poderia, também, considerar o livro um romance. É, sem dúvida, uma novela, talvez não tão previsível.


Violetas na Janela
Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, português, Petit, 2001

Livros espíritas podem ser interessantes; mas este não é. É uma interpretação um pouco forçada do plano espiritual, como se o nosso mundo fosse uma cópia do dos desencarnados, ou vice-versa. Como se houvesse uma continuidade histórica, tecnológica e, principalmente, de laços familiares, o que não parece coerente.
Existe também um elogio constante dos espíritas e dos seus centros, como se toda a compreensão sobre o assunto pós-morte estivesse centrada no espiritismo, e não em outras crenças.


When The World Screamed
Sir Arthur Conan Doyle, inglês, 1995

A idéia é originalíssima: que o globo é um ser vivente, e que nós somos parasitas sobre a sua pele. Não creio que o nosso conhecimento sobre as profundezas do planeta seja suficiente; nesse sentido, é possível afirmar que temos mais conhecimento sobre o espaço sideral do que sobre o que está bem abaixo de nós.


WikiLeaks: A Guerra de Julian Assange contra os Segredos de Estado
David Leigh e Luke Harding, português, 2011, Verus, tradução de Ana Resende

Se as teorias da conspiração parecem invenção de mentes férteis, a realidade prova o contrário. Julian Assange é um ativista a mostrar a sujeira que se esconde por trás da suposta democracia e da corrupção que envolve os governos, de forma clara, por meio dos documentos eletrônicos das próprias bases de dados governamentais.
A leitura é interessante, intrigante, instigante.
Ressalto a rapidez com o que o livro foi traduzido e impresso no Brasil. São mencionados fatos de fevereiro de 2011, quando ganhei o livro de presente em março desse ano. Talvez isso justifique os vários erros de digitação que encontrei.
Visite o WikiLeaks.



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